- Mandelson não colaborou plenamente com o processo, negando o acesso a informações em seu telefone pessoal solicitadas pelo governo.
- As mensagens mostram que ele criticou a gestão de Starmer, descrevendo o governo como “beleaguered and bereft” e o estilo do primeiro-ministro como “advance/buckle”.
- Há uma nota manuscrita dele a David Lammy, dizendo que, se for nomeado, ele não se arrependerá da indicação.
- Mandelson tentou obter o cargo de chanceler da Universidade de Oxford usando sua rede de contatos, com várias solicitações a ex-colegas do Partido.
- Também houve controvérsia sobre a ideia de entregar uma “red box” ao presidente Donald Trump durante a visita de estado, com Julia discussões sobre prazos e fornecedores.
O governo britânico divulgou a segunda e principal parte de um conjunto de documentos vinculados ao papel de Peter Mandelson como embaixador dos EUA em Washington, totalizando quase 1.500 páginas. A liberação é a mais ampla já realizada em resposta a uma moção no parlamento. O material revela mensagens entre Mandelson e assessores sobre a atuação do governo de Rishi Sunak, após a eleição.
Os documentos mostram que Mandelson não cooperou integralmente com o processo de liberação, já que recusou fornecer informações de aparelhos pessoais quando solicitado pelo governo. A avaliação oficial aponta que não houve recurso para vasculhar dispositivos pessoais do ex-embaixador.
Avaliação do governo e da liderança de Starmer
Entre as mensagens, Mandelson critica a gestão de Starmer, avaliada como fragilizada pelo entorno imediato do premiê. Em conversas com Pat McFadden, o ex-embaixador descreve o governo como pressionado e sem fôlego, além de sugerir que o premier e o gabinete carecem de verve para conduzir a agenda.
Mandelson também expressa desaprovação de forma contundente sobre o estilo de liderança do governo, segundo trechos das trocas de mensagens com McFadden. A avaliação contrasta com descrições positivas feitas por alguns interlocutores da área ministerial.
Contatos e promessas anteriores
Entre os itens, há uma nota escrita por Mandelson a David Lammy, então ministro das Relações Exteriores, em novembro de 2024, antes da confirmação no cargo. O texto expressa esperança de que Lammy não tenha se irritado com a cobertura da imprensa sobre a nomeação e afirma a intenção de não decepcionar o colega.
A relação entre Mandelson e Wes Streeting é destacada pelo teor das mensagens, com críticas de Mandelson a conteúdos compartilhados por Streeting sobre a situação em Gaza. O tom das trocas sugere desentendimentos internos relevantes para o clima ministerial à época.
Relação com John Major e conselhos de campanha
As mensagens entre Mandelson e Starmer, embora formais, indicam distanciamento. Em meio a discussões sobre percepções de eleitorado, Mandelson sugere que o então ex-primeiro-ministro John Major poderia ter uma conversa útil com o líder da oposição, sem necessidade de resposta por parte de Starmer.
Pouco depois da eleição, Mandelson relata ter jantado com Major e recomenda que o líder converse com o ex-primeiro-ministro, algo visto como uma possível estratégica de aproximação política.
Congratulações e ambições pessoais
Diversos ministros e secretário s de governo enviaram mensagens de parabéns pela nomeação de Mandelson como embaixador, com tom elogioso a respeito da escolha. As trocas indicam apoio institucional ao posto, ainda que haja dúvidas sobre a decisão.
Entre as mensagens, Mandelson também buscou ampliar redes de influência, incluindo contatos da Universidade de Oxford para viabilizar a posição de chanceler, demonstrando uso de contatos para alavancar oportunidades acadêmicas.
Detalhes sobre a cerimônia com o presidente dos EUA
Um dos trechos mais longos envolve a ideia de um “pacote vermelho” para o presidente dos EUA, na prática uma versão do malhete ministerial personalizado. O planejamento enfrentou atraso logístico e falhas de comunicação entre departamentos, gerando críticas internas sobre a gestão de prazos e fornecedores.
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