- A prefeitura de São Paulo é alvo da Operação WI-FI, que investiga fraude em licitação de 108 milhões de reais para implantação de wifi na periferia, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, ligado à Karina Ferreira da Gama e à Go UP Entertainment.
- A investigação aponta aditivos que elevaram o repasse para 157,1 milhões de reais; pelo menos 26 milhões teriam sido pagos sem a devida prestação de serviço.
- A Polícia Civil investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos; o Tribunal de Contas do Município identificou 20 irregularidades no edital.
- A gestão municipal disse não identificar irregularidades no contrato e afirmou que ele atendeu aos critérios de economicidade; a prefeitura manteve a contratação.
- O prefeito Ricardo Nunes afirmou que, se houver relação com o filme sobre Jair Bolsonaro, pode configurar perseguição política e disse não haver impedimento a Karina Ferreira da Gama; a operação incluiu buscas na Go UP, na residência de Karina e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a Operação WI-FI pode representar perseguição política se a apuração tiver relação com o filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação mira uma licitação de 108 milhões de reais vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, ONG associada à Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP Entertainment, produtora do longa Dark Horse.
A Polícia Civil, por meio do DPPC, apura fraude na licitação, execução do contrato e possível desvio de recursos públicos. A ação desta segunda-feira levou a diligências em oito locais, incluindo a sede da Go UP, endereços de Karina e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
O contrato envolve a implantação de 5 mil pontos de Wi-Fi na periferia da cidade. A polícia aponta indícios de direcionamento no chamamento público e de sobrepreço em relação a contratos anteriores da prefeitura. O objetivo é verificar irregularidades na licitação e na execução.
A Administração municipal informou que o contrato seguiu critérios de legalidade, economicidade e transparência. Ainda segundo a prefeitura, não houve identificação de desvios até o momento e o material já solicitado aos investigadores foi disponibilizado.
Contexto da investigação
A apuração também aponta que aditivos elevaram o valor total para 157,1 milhões de reais, com pagamentos antecipados de 26 milhões sem comprovação de serviço. O Tribunal de Contas do Município identificou 20 irregularidades no edital, o que levou à recomendação de suspensão do contrato, eventual decisão que foi ignorada pela prefeitura.
A operação resultou na busca por evidências na sede da ONG, em endereços residenciais de Karina e na sede da Secretaria de Inovação. A polícia analisa se houve atraso na entrega dos serviços, com apenas 3,2 mil pontos efetivamente instalados, apesar das tentativas de ampliar o contrato.
Nunes pediu cautela ao comentar o caso, afirmando que, se a motivação for política, a apuração se torna grave e desrespeita a democracia. Ele lembrou que a prefeitura, segundo ele, atende critérios técnicos de economicidade e que o contrato não apresenta irregularidades já identificadas pela gestão.
A administração estadual informou que, desde o início, coopera com as autoridades e que todo o material já está disponível para auditorias. O acompanhamento do processo também envolve o Tribunal de Contas do Município e o Ministério Público, conforme registros oficiais.
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