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ONG ligada à produtora de Dark Horse é alvo de operação da Polícia Civil em SP

Polícia Civil deflagra operação para apurar irregularidades em contrato de R$ 108 milhões para wi‑fi em comunidades de São Paulo, ligado à ONG de Karina Gama

Polícia Civil investiga se recursos públicos do programa WiFi Livre SP foram desviados para custear as atividades de produção do filme Dark Horse - (crédito: Fabio Arantes/Secom/Prefeitura de São Paulo)
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  • A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, em 1º de junho, uma operação para apurar irregularidades em contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Gama, dona da Go UP, produtora de Dark Horse.
  • O acordo previa instalar e manter cinco mil pontos de internet gratuita via wi‑fi em comunidades; até o momento, teriam sido entregues 3,2 mil pontos.
  • O inquérito aponta cobrança de valores acima do mercado e indica que a prefeitura desembolsou ao menos R$ 26 milhões por serviços não prestados, com ao menos três aditivos ao contrato.
  • Investiga‑se ainda a possibilidade de subcontratações fraudulentas, com contratos somando cerca de R$ 98 milhões ligados a empresas associadas a Karina Gama.
  • A SSP afirma que as diligências acontecem em endereços ligados a subcontratadas; a prefeitura diz colaborar, que o programa funciona e que houve equilíbrio entre custos e propostas.

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira uma operação que mira irregularidades em um contrato de 108 milhões de reais para instalar e manter pontos de wi-fi em comunidades da capital. O contrato foi firmado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Gama, dona da produtora Go UP, associada ao filme Dark Horse.

A operação foca em indícios de superfaturamento, contratações sem competição e aditivos que ampliaram valores e prazos. De acordo com o inquérito, apenas 3,2 mil dos 5 mil pontos previstos foram efetivamente entregues, e houve pagamento por serviços não prestados.

Quem envolve e onde acontece

O Instituto Conhecer Brasil é alvo principal da ação. A investigação aponta que o edital favoreceu a ICB, cuja atuação prévia seria em promoção de eventos religiosos, segundo o delegado responsável. A prefeitura é representada pela gestão de Ricardo Nunes, do MDB, que nega pagamento por serviços não prestados.

Quando e como ocorreu

A operação foi deflagrada nesta segunda-feira. Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ICB e às empresas subcontratadas para a implantação dos serviços. Também foram requisitados contratos, prestações de contas e documentos à SMTI.

O que diz a prefeitura e o que envolve a produção

A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e que os documentos solicitados já estavam disponíveis publicamente. Em nota, destacou que o programa WiFi Livre SP funciona normalmente e que apenas 52 dos 3,2 mil pontos contratados estavam offline para manutenção.

A “Dark Horse” aparece na investigação por meio da ligação entre Karina Gama e a produção associada à cinebiografia de Jair Bolsonaro. O caso também envolve indícios de subcontratações de empresas que teriam recebido valores expressivos.

Contratos, custos e desdobramentos

O inquérito aponta disparidade de custos entre o preço praticado pela Prodam, da prefeitura, e o valor firmado com o ICB. Enquanto a Prodam cobrava cerca de 230 reais por ponto, o contrato com o ICB fixou 1.800 reais por ponto. A prefeitura afirma que, para 2026, o custo estimado é de 1.280,80 por ponto/mês, ainda menor que propostas de 2022.

A polícia investiga ainda a possibilidade de desvio de recursos para financiar atividades da produção de Dark Horse, inclusive por meio de contas de empresas subcontratadas. O documento cita pagamentos a empresas como Make One, UltraIP, Complexys e Fast Future, ligadas a um mesmo grupo.

Notas oficiais e próximos passos

A SSP-SP informou que as diligências visam recolher documentos físicos e digitais, além de equipamentos e registros financeiros. Não há previsão de prisões no momento. A prefeitura informou que o sistema SEI já disponibiliza a prestação de contas e que o processo também acompanha o Tribunal de Contas do Município.

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