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Polícia Civil investiga ONG ligada à produtora de Dark Horse em SP

Polícia Civil deflagra operação contra Instituto Conhecer Brasil por irregularidades em contrato de R$ 108 milhões para 5 mil pontos de wi‑fi; 3,2 mil entregues e indícios de superfaturamento e desvio de recursos para a produção de Dark Horse

Alvo da operação, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) pertence a Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP, produtora do filme Dark Horse
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  • A Polícia Civil de São Paulo deflagrou hoje uma operação para apurar irregularidades em contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Gama, dona da produtora Go UP, conhecida pelo filme Dark Horse.
  • O contrato, no valor de R$ 108 milhões, previa a instalação e manutenção de cinco mil pontos de internet gratuita via wi-fi em comunidades da cidade; segundo a investigação, apenas 3,2 mil pontos foram entregues.
  • Há indícios de cobrança acima do mercado e de pagamentos por serviços não prestados, com o contrato passando por pelo menos três aditivos.
  • A SSP-SP informou que foram cumpridos mandados de busca e apreensão e que há diligências em empresas subcontratadas e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia; não há previsão de prisões.
  • A Prefeitura afirmou que coopera com as autoridades e que o programa WiFi Livre SP funciona normalmente; a polícia aponta indícios de contratação dirigida a uma entidade sem experiência em telecomunicações.

O caso envolve uma operação da Polícia Civil de São Paulo para apurar irregularidades em contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora Go UP, criadora do filme Dark Horse. A ação ocorreu nesta segunda-feira (1º/6), em São Paulo, durante cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Segundo a investigação, o Instituto Conhecer Brasil foi contratado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) para instalar e manter 5 mil pontos de wi‑fi em comunidades da cidade. O valor inicial foi de 108 milhões de reais. Alega‑se que até o momento foram entregues apenas 3,2 mil pontos.

O delegado responsável aponta que o edital da contratação apresentava critérios genéricos e favorecia o instituto, que não possuía experiência prévia em telecomunicações. O entendimento é de que houve superfaturamento e pagamento de serviços não correspondentes ao contrato.

Além disso, há indícios de que a Prefeitura desembolsou ao menos 26 milhões de reais por serviços não prestados, com o contrato passando por ao menos três aditivos. Equipes também investigam possíveis subcontratações e desvios de recursos para outras empresas.

A SSP-SP informou que, além do ICB, endereços ligados a empresas subcontratadas foram alvo de diligências. Também houve busca na Secretaria Municipal para obtenção de contratos, prestações de contas e documentos relacionados ao termo de colaboração.

A Prefeitura de São Paulo afirmou colaborar com as investigações e disse que todo o material já está disponível publicamente por meio de prestações de contas. A gestão de Ricardo Nunes destacou que o programa WiFi Livre SP funciona normalmente, com apenas 52 pontos offline no momento.

Flávio Bolsonaro comentou à imprensa que a operação não tem relação com o filme sobre seu pai. O ex‑ministro Fábio Wajngarten defendeu Karina Gama, proprietária da Go UP, afirmando que ela é vítima de tentativas de vilanização e que não será usada como moeda política.

— Por que a ONG é alvo —

A Polícia Civil aponta gravidade nas irregularidades financeiras do contrato entre a SMIT e o Instituto Conhecer Brasil. A investigação teve origem numa denúncia recebida pelo MPF, encaminhada ao âmbito policial por não envolver recursos federais. A maior parte do inquérito foca em possíveis pagamentos indevidos e na execução do serviço.

O delegado afirma que o custo por ponto, estimado pela administração municipal para 2026, é inferior aos valores de 2022, o que, segundo ele, não explica o suposto desvio. A prefeitura sustenta que os custos atuais estão dentro da legalidade e da transparência.

Em nota, a BBC News Brasil informou que procurou a Go UP e a produtora não respondeu até o momento. A reportagem acompanhará novas informações sobre o caso.

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