- Paranaguá registra 50,7 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, mais que o dobro da média do Paraná, com 76 homicídios estimados no total.
- O município ficou em 26ª posição entre as cidades mais violentas do país em 2024, segundo o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
- No Paraná, a taxa foi de 19,5 por 100 mil habitantes em 2024, ficando Paranaguá acima desse patamar há anos. Dados de 2023 a 2025 mostram queda nos homicídios no estado, enquanto Paranaguá permanece com índices elevados.
- Especialistas apontam como fatores a posição portuária da cidade e a disputa entre grupos criminosos pela rota do narcotráfico, que elevam as taxas de homicídio em áreas estratégicas.
- Investimentos recentes em segurança no estado e na cidade incluem viaturas, motos, embarcações e ampliação do sistema de monitoramento; o porto atua com apoio de unidades de segurança e câmeras para monitoramento.
Paranaguá, no litoral do Paraná, aparece entre as cidades mais violentas do Brasil. Dados do Atlas da Violência de 2024, divulgados na última semana, apontam 50,7 homicídios por 100 mil habitantes no município, mais do que o dobro da média estadual. Ao todo, são estimados 76 homicídios em 2024.
O estudo, feito pelo Ipea em parceria com o FBSP, coloca Paranaguá na 26ª posição entre as cidades mais violentas do país. O índice do estado em 2024 ficou em 19,5 por 100 mil habitantes, ainda acima da média estadual no mesmo ano.
Paranaguá já figura entre as maiores taxas de violência há uma década, com oscilações, mas sem redução consistente. Em 2022, o município ficou em 28º lugar no ranking nacional.
Paraná reduz homicídios, mas Paranaguá continua com violência elevada
O Paraná teve queda de homicídios nos últimos anos, com melhora entre 2022 e 2023. A Secretaria de Estado da Segurança aponta menor total de casos e taxa por 100 mil. Em 2024, o estado registrou o menor patamar histórico de homicídios.
Segundo a Sesp, a taxa estadual chegou a 9,9 por 100 mil em 2025, com nova queda no primeiro trimestre de 2026. Paranaguá também apresenta redução: 70 registros em 2023, 65 em 2024 e 43 em 2025.
Fatores determinantes e comparações com outras cidades portuárias
Especialistas apontam que o porto é fator recorrente na violência local. A professora Patrícia Piasecki destaca que Paranaguá possui histórico de violência por ser cidade portuária, com aumento recente associado ao tráfico internacional.
O criminólogo Flavio Bortolozzi Junior ressalta disputa entre facções pelo controle de rotas de drogas como principal motor da escalada. A dinâmica varia conforme o domínio de grupos em cada território, ajudando a explicar variações entre cidades portuárias.
Ações públicas e instrumentos de fiscalização
Paranaguá recebeu reforços de segurança com 15 viaturas, 12 motocicletas e 10 embarcações para o litoral, como parte de pacote estadual. A Portos do Paraná descreve atuação integrada com a PF, RF e outras forças, com monitoramento por câmeras.
A Secretaria de Segurança aponta que o estado lidera o país em apreensões de drogas em 2025, com mais de 550 toneladas. A prefeitura destaca investimentos, como mais viaturas, armamentos e expansão do sistema de monitoramento.
Porto e áreas logísticas sob vigilância
A maioria das apreensões de cocaína no estado está ligada a áreas privadas próximas ao porto de Paranaguá, incluindo terminais de contêineres. Em março, 226 quilos foram encontrados em contêiner com madeira para exportação, com destino à Itália.
O complexo portuário figura entre os três maiores volumes de cocaína apreendida no Brasil, ao lado de Santos e Recife. A fiscalização envolve uso de scanners, cruzamento de dados e monitoramento por câmeras.
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