- Em dezembro de 2025, a prefeitura de São Paulo elevou para R$ 143 milhões o contrato com o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme “Dark Horse”, um aumento de 50% em relação ao que já havia sido pago até então.
- A área técnica da prefeitura classificou como irregularidade grave a prestação de contas de 2024, apontando necessidade de devolução de quase R$ 1 milhão; parte foi considerada pagamento duplicado não autorizado.
- A Polícia Civil abriu investigação para apurar desvios de verba pública na contratação, questionando se recursos foram usados para financiar o filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
- A prefeitura afirma que houve devolução integral dos valores pela ONG em 2025 e que o aditivo visa manter a continuidade dos serviços de wifi público; nega financiamento municipal à produção cinematográfica.
- O aditivo foi assinado pela secretaria municipal de Inovação e Tecnologia e pela presidenta do instituto, Karina Ferreira da Gama, que também é ligada à produção do filme; pagamentos continuam ocorrendo em 2026.
A prefeitura de São Paulo ampliou em dezembro de 2025 o contrato com a ONG Instituto Conhecer Brasil para 143 milhões de reais, ante 93,5 milhões pagos anteriormente. O acréscimo de 50% fica registrado até o fim de 2026 e o aditivo foi assinado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e pela presidente da ONG.
A medida ocorre mesmo após uma área técnica da prefeitura apontar uma irregularidade grave na prestação de contas de 2024. A pasta cobrou a devolução de cerca de 1 milhão de reais, dos quais parte era proveniente de um pagamento duplicado a um fornecedor, considerado não autorizado.
Em 2025, o município continuou a efetuar pagamentos mensais à ONG, no valor de aproximadamente 4,1 milhões de reais. O contrato prevê a instalação de pontos de wifi em espaços públicos da capital paulista, com vigência prevista até o fim de 2026.
A prefeitura informou que a devolução dos valores glosados foi integralmente efetivada pela ONG em 2025, e negou que os recursos tenham sido destinados ao filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Também afirmou que a produção cinematográfica não recebeu recursos municipais.
Segundo parecer técnico, a permanência de valores pendentes de devolução configurava irregularidade grave na execução financeira da parceria e comprometia a regularidade das contas. A gestão afirmou ter corrigido as falhas apontadas.
O Instituto Conhecer Brasil apresentou comprovante de restituição datado de julho de 2025, mas o registro dessa devolução só ocorreu em maio de 2026, após cobranças da área técnica. Em 11 de maio de 2026, o secretário Humberto de Alencar aprovou as contas da ONG, mesmo antes de saná-las formalmente.
Paralelamente, reportagem do The Intercept Brasil revelou articulações políticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro para captar recursos destinados a um filme sobre o ex-presidente. A peça publicitária liga as informações a integrantes de redes ligadas ao filme.
Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil, é ligada ao deputado Mario Frias (PL-SP), um dos responsáveis pela produção. Frias destinou emendas que levaram à subcontratação de dirigentes da ONG, incluindo nomes ligados à própria instituição.
Entre os subcontratados estão profissionais que atuaram na assessoria de imprensa, além de envolvidos na gestão de projetos como o Jovem Empreendedor e o programa Lutando pela Vida, com atividades descritas pela ONG como voltadas a crianças e adolescentes. Diversas prestações de contas seguem sob análise.
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