- As vagas industriais nos EUA atingiram o pico de cerca de 19,6 milhões em 1979 e vêm caindo desde então, mesmo com acordos como NAFTA e o acordo EUA-México-Canadá substituto em 2020. Hoje são aproximadamente 12,6 milhões de empregos na manufacturing.
- Mais de 950 mil empregos foram certificados como perdidos por NAFTA, segundo o Departamento do Trabalho, números vistos como subestimados; tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump ajudaram a reduzir encomendas em plantas, como a de Springfield, em Ohio.
- Trabalhadores e aposentados da região central do país relatam que offshoring, terceirização e a perda de empregos de qualidade com sindicatos fragilizados afetam famílias e o futuro de gerações.
- Partidos Democrata e Republicano buscam eleitores de classe trabalhadora no Meio-Oeste; analistas sugerem que votos podem oscilar conforme a economia, preço de combustíveis e alimentos e a percepção sobre promessas de retomada de empregos.
- Líderes sindicais destacam a necessidade de eleger representantes que defendam o trabalhador, independentemente de partido, e de informar sobre o papel do sindicato na defesa de empregos e salários.
A economia automotiva dos EUA enfrenta queda de empregos desde os anos 80, com destaque para o offshoring e impactos de tarifas. O tema ganha peso político, com democratas buscando conquistar trabalhadores que apoiaram o uso de tarifas e reformas de comércio no passado.
Morgan Hughes, operária na planta da Ford em Springfield, Ohio, relata queda de pedidos desde que as tarifas foram adotadas, aumentando a pressão sobre o emprego na fábrica. A unidade, que já teve mais de 5 mil trabalhadores, hoje emprega cerca de 1,3 mil.
A história de Hughes ilustra a dinâmica regional do setor, especialmente no Meio-Oeste, onde grande parte das fábricas foi fechada desde 1990. A região já perdeu mais de 1 milhão de vagas na indústria entre 1990 e 2019, segundo dados setoriais.
Outra ex-funcionária, Janice Williams, que trabalhou 32 anos na Ford, descreve como a terceirização e o offshoring reduziram oportunidades para a família. Ela ressalta a importância de empregos bem remunerados e com proteção sindical para as futuras gerações.
A ex-funcionária Gail Aleshire, da GM Lordstown, ressalta que aposentou-se com benefícios estáveis, mas preocupa-se com trabalhadores que não tiveram a mesma sorte. Ela cita a necessidade de recuperar empregos formais de alto salário no Meio-Oeste.
Especialistas ouvidos no debate apontam que, apesar de a economia enfrentar pressões, não há maioria parlamentar para mudanças rápidas. Analistas destacam que a estratégia eleitoral dependerá de demonstrar que políticas laborais protegem trabalhadores sem depender de maioria no Congresso.
Funcionários e dirigentes sindicais enfatizam a importância de persuadir eleitores de baixa renda, incluindo antigos apoiadores de partidos conservadores, a priorizar questões laborais em vez de rótulos partidários. A meta é ampliar o apoio a candidatos que defendam o setor.
A vivência dos trabalhadores com promessas não cumpridas, especialmente ligadas a investimentos em fábricas e incentivos fiscais, alimenta o debate sobre o que os governos podem fazer para devolver empregos industriais. Pesquisas recentes indicam que a opinião pública sobre a economia continua sensível a preços de combustível e alimentos.
Entre as lideranças sindicais, há insistência na educação sobre o papel da entidade, o funcionamento das empresas e os objetivos da mobilização. O objetivo é manter a base informada e engajada, sem implicar em conclusão sobre resultados eleitorais.
O movimento de recuperação de empregos industriais enfrenta caminhos complexos: o cenário político atual limita o que pode ser implementado em curto prazo. A discussão permanece centrada em políticas que apoiem a indústria, sem comprometer a estabilidade dos trabalhadores.
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