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Estudo analisa percepções sobre violência doméstica

Datafolha mostra baixa confiança na polícia e na Justiça e compreensão restrita do processo de agressões no âmbito doméstico

Sede da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), no Rio de Janeiro (RJ)
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  • Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360, aponta baixa confiança de mulheres na polícia (19%) e na Justiça (17%) para atuar em violência contra a mulher, e 63% confiam pouco nas duas instituições.
  • Entre os homens, 31% dizem confiar muito na polícia e 23% na Justiça.
  • A pesquisa indica que atitudes como humilhar a mulher em público (94%) e forçar relação sexual no casamento (95%) são vistas como violentas; ainda há compreensão de que impedir a saída da parceira pode ou não ser violência, dependendo da interação entre o casal.
  • O tempo médio de julgamento de casos de violência doméstica é de 429 dias, e a fila de processos terminou o ano passado em 1,3 milhão.
  • Relatório da ONU recomenda ações como delegacias especializadas, medidas protetivas, informatização de processos e campanhas de conscientização; como modelo, cita-se a política espanhola de 2007 que usa avaliação de risco algorítmica.

A pesquisa Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360, revela baixa confiança na polícia e na Justiça no combate à violência doméstica no Brasil, além de compreensão aquém sobre o que configura esse tipo de agressão. O levantamento aponta entraves para denúncias, investigações e proteção às vítimas.

Entre os dados, a maioria associa violência a humilhação pública (94%) e coerção sexual no casamento (95%). Contudo, 45% acham que impedir a mulher de sair para comemorar não é violência, e 41% dizem que o aval depende da interação entre o casal.

A interdição da vida social e do convívio familiar, prática comum em casos de violência doméstica, é destacada pelos especialistas como fator de risco para agressões físicas e até feminicídio.

Sobre a confiança nas instituições, apenas 19% das mulheres e 17% confiam muito na polícia e na Justiça, respectivamente. Outros 63% demonstram pouca confiança, e 17% (polícia) e 19% (Justiça) não confiam. Entre os homens, 31% demonstraram alta confiança na Polícia e 23% na Justiça.

O estudo aponta avanços legislativos, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, mas ressalva que a resposta do Estado permanece lenta. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o tempo médio de tramitação de casos de violência doméstica é de 429 dias, com 1,3 milhão de processos na fila ao final de 2025.

Relatórios da ONU, também de 2025, sugerem ações integradas para conter o problema: delegacias e varas especializadas, medidas protetivas eficazes, informatização de processos e monitoramento estatístico contínuo. O documento enfatiza apoio psicológico, social e campanhas de conscientização.

Como referência internacional, o texto cita uma política de 2007 na Espanha, que envolve protocolos de avaliação de risco algorítmica pela polícia. A prática orienta medidas protetivas desde a denúncia até o monitoramento dos casos.

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