- O Escritório de Representante Comercial dos EUA propõe tarifas de 25% sobre importações brasileiras, como punição por práticas consideradas desleais, com audiências públicas a partir de 6 de julho; a decisão final caberá ao presidente dos EUA.
- O relatório do USTR critica o Pix, o sistema de pagamento instantâneo brasileiro, e o Banco Central, apontando vantagens para o Pix e alegando discriminação a fornecedores estrangeiros.
- Aliados de Lula reagiram já nas redes com o lema “o Pix é do Brasil” e passaram a acusar Flávio Bolsonaro de estimular ações norte-americanas contra o Brasil.
- O PT chamou o movimento de Tarifaço e criou a expressão Tariflávio para classificar as ações dos Bolsonaros no exterior; houve críticas a articulações internacionais contra o país.
- O documento cita, entre as áreas sob avaliação, comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção, além de listar isenções para 73 páginas de produtos.
O governo de Lula reagiu nesta terça-feira (2/6) à conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que propõe taxar em 25% as importações brasileiras. A justificativa é punir práticas que o acordo considera desleais, entre elas o sistema de pagamentos Pix e o papel do Banco Central.
O relator do relatório aponta que o Pix favorece agentes domésticos em relação a fornecedores estrangeiros, o que poderia colocar o Brasil na mira de medidas dos Estados Unidos. A decisão final sobre o tarifaço caberá ao presidente norte‑americano, após audiências públicas, com a primeira marcada para 6 de julho.
Nos bastidores, aliados de Lula defenderam o Pix como conquista nacional e passaram a atacar a família Bolsonaro. O tema ganhou adesão de hash tag e de críticas à atuação do grupo ligado a Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Donald Trump na Casa Branca recentemente.
Flávio Bolsonaro rompeu com o Palácio do Planalto ao acompanhar Trump, dois dias antes de o governo norte‑americano anunciar a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas internacionais. A bancada petista associou esse movimento a uma atuação externa contrária aos interesses do Brasil.
Gleisi Hoffmann, deputada federal e ex‑ministra, afirmou que a eventual tarifa é resultado de articulações de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra o país. Lindbergh Farias e Rogério Correia também criticaram a atuação externa de familiares do ex‑presidente, chamando‑os de traidores da pátria e defendendo o Pix como instrumento nacional.
O PT divulgou ainda uma arte com a mensagem Pix é do Brasil, reforçando o posicionamento de defesa da tecnologia nacional. Em entrevista e publicações, o partido chamou de ataque ao Pix e ao Brasil a proposta de tarifas e associou o episódio a manobras de estrangeiros contra a soberania econômica.
Entenda
O relatório final do USTR cita seis áreas prioritárias: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol e propriedade intelectual, além de combate à corrupção. Segundo o documento, atos do Brasil seriam irracionais ou discriminatórios e onerosos ao comércio norte‑americano, enquadrando‑se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O Pix é destacado como sistema estatal que pode limitar a atuação de soluções privadas internacionais, o que, segundo o relatório, criaria vantagens para fornecedores nacionais. Apesar de reconhecer a adoção rápida do Pix e a redução de custos, o USTR aponta assimetrias regulatórias que prejudicam concorrentes estrangeiros.
A investigação foi aberta em julho de 2025, por determinação de Donald Trump. O prazo para definição de medidas termina em 15 de julho deste ano. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas para evitar a adoção efetiva das medidas.
- Entre as práticas citadas, o relatório menciona decisões judiciais no Brasil que teriam imposto encargos e restrições a plataformas de mídia social norte‑americanas, afetando seu acesso a ativos e a operações no país.
- O documento cita ainda tratamentos tarifários preferenciais com México e Índia, considerados desvantajosos para produtores norte‑americanos.
- Em relação ao etanol, o relatório ressalta a mudança de tratamento tarifário em 2017 e a ausência de reciprocidade que beneficie exportações dos EUA.
- Sobre o desmatamento, o relatório sustenta falhas na aplicação de normas ambientais para coibir atividades ilegais.
Produtos fora da lista
A proposta inclui uma lista extensa, com 73 páginas, de itens brasileiros isentos de tarifas. Entre eles estão materiais informativos, doações, carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves e peças aeronáuticas, bem como químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.
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