- EUA propõem tarifa de 25% sobre parte das importações do Brasil no âmbito da investigação da Seção 301, segundo nota do Planalto.
- Governo atribui a proposta à atuação da família Bolsonaro, chamando-os de falsos patriotas que conspiram contra os interesses nacionais.
- Planalto afirma que se reserva ao direito de recorrer à Lei de Reciprocidade e convoca o setor privado a participar dos diálogos.
- Em reunião ministerial liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, participaram ministros e o embaixador Maurício Lyrio para definir estratégia de posicionamento.
- O governo cita negociações entre Lula e Trump e dados econômicos para sustentar que tarifas prejudicariam a economia e o emprego, buscando encerrar a investigação sem medidas contra o Brasil.
O governo brasileiro divulgou uma nota oficial manifestando indignação com a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% a parte das mercadorias importadas do Brasil, no âmbito da Seção 301. A referência recai sobre suposta atuação da família Bolsonaro, que é apontada como responsável por uma tentativa de cooperação com interesses contrários aos brasileiros.
A nota também afirma que o governo se reserva o direito de recorrer aos instrumentos da Lei de Reciprocidade, para evitar situações de injustiça contra o Estado brasileiro. O Palácio do Planalto sinaliza ainda que o setor privado será convidado a participar dos diálogos.
Reação oficial e contexto
A comunicação foi divulgada no início da tarde após reunião ministerial para alinhar a estratégia de posicionamento. O vice-presidente Geraldo Alckmin conduziu a reunião, com ministros e o embaixador presentes.
A nota sustenta que a investigação da Seção 301 teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro, associada a intervenções em temas internos, como a visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Afirmam que há apoio de “falsos patriotas” que usam cargos para conspirar contra o país.
O governo sustenta ainda que não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil, nem contra o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos. A defesa cita números: superávit brasileiro com os EUA de US$ 424,5 bilhões nos últimos 15 anos.
Impactos e negociações
Segundo o Planalto, em 2025 houve tarifa efetiva zero em oito dos dez principais produtos importados dos EUA pelo Brasil, e 76% das importações americanas entraram sem imposto. O governo sustenta que tarifas poderiam prejudicar a economia e o emprego no Brasil e reduzir o papel dos EUA como parceiro comercial.
No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor patamar da série histórica, em 9,4%. A nota aponta que negociações tarifárias seguem em curso, com o objetivo de encerrar a Seção 301 sem a imposição de novas tarifas.
Compromisso com o diálogo
O Planalto afirma que o diálogo com o setor privado será ampliado para reduzir danos à economia, aos empregos e à renda. As negociações são descritas como parte de acordos entre presidentes Lula e Trump, firmados em Washington, com foco no encerramento da investigação previsto para 15 de julho.
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