- O Instituto Conhecer Brasil repassou R$ 1,3 milhão à empresa Complexsys em dezembro de 2024, momento em que um dos sócios da Complexsys era dirigente do ICB.
- O repasse ocorreu no âmbito de convênio entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para instalação de 5.000 pontos de wi‑fi livre em comunidades de baixa renda da capital.
- A Complexsys foi contratada por meio de subcontratação para verificação, análise, validação e suporte técnico dos pontos de acesso, com André Feldman como representante da empresa; Eduardo Franco tornou-se dirigente do ICB em novembro de 2024.
- Em dezembro de 2024, houve dois pagamentos da ONG à Complexsys: R$ 821 mil e R$ 480 mil, totalizando R$ 1,3 milhão; o total de repasses à empresa somou R$ 4,1 milhões entre dezembro de 2024 e julho de 2025; houve pagamento adicional de R$ 444,4 mil em julho de 2025.
- A Polícia Civil investiga possíveis desvios de verbas públicas para financiamento do filme Dark Horse; as partes envolvidas não se manifestaram até o momento.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) repassou R$ 1,3 milhão à empresa Complexsys em dezembro de 2024, período em que um dos sócios da Complexsys era também dirigente da ONG. Os pagamentos ocorreram no âmbito de convênio com a Prefeitura de São Paulo para instalação de 5.000 pontos de wi‑fi em comunidades de baixa renda da capital.
A operação de apuração é alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo. Entre as suspeitas estão possíveis conflitos de interesse e uso de notas fiscais de Complexsys para justificar despesas da ONG perante a administração municipal. A prefeitura, o ICB e a Complexsys ainda não se manifestaram.
Segundo o contrato, a Complexsys era responsável por verificação, análise, validação e suporte técnico dos pontos de acesso. O acordo foi firmado com a empresa em agosto de 2024 e incluía a participação de André Feldman como representante da Complexsys, conforme documentos.
Três meses após a assinatura, Eduardo Franco tornou‑se dirigente do ICB. Ainda em dezembro de 2024, Franco também era sócio da Complexsys, o que coincide com os dois pagamentos efetuados pela ONG, somando R$ 1,3 milhão. O montante total repassado pela ONG à Complexsys desde dezembro de 2024 até julho de 2025 atingiu R$ 4,1 milhões.
No esclarecimento do caso, não houve resposta da Prefeitura de São Paulo nem de Eduardo Franco. A Complexsys também não atendeu aos contatos do jornal. A gestão da ONG é vinculada a Karina da Gama, presidente do ICB, e proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse.
Conforme apuração, a contratação de empresas de dirigentes por organizações não governamentais é proibida por lei para evitar conflito de interesses. A análise técnica da prefeitura, porém, aprovou as contas do primeiro ano do convênio, sem apontar conflito, e ainda não há dados sobre o período seguinte.
A investigação aponta ainda indícios de uso de notas fiscais emitidas pela Complexsys para justificar despesas do ICB, com notas canceladas no mesmo dia da emissão, mas utilizadas nas prestações de contas. Além disso, o Estadão já havia mostrado a existência de outras operações envolvendo dirigentes ligados a Karina da Gama.
A rede de contratos também envolve outras entidades ligadas a Karina, com recursos públicos, em operações que estão sob escrutínio. O filme inspirado na vida do ex‑presidente Jair Bolsonaro figura entre os objetos de controvérsia envolvendo as ONG e produtores ligados ao caso.
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