- Comite parlamentar britânico afirma que a dependência crescente da Palantir é uma vulnerabilidade séria, que pode dar poder de barganha excessivo à empresa.
- Risco de lock-in de fornecedores pode tornar serviços mais caros e de menor qualidade com o tempo, aponta a presidente do comitê, Dame Chi Onwurah.
- Em cenário grave, o fornecedor poderia ameaçar interromper serviços para impor sua vontade, potencialmente paralisando serviços públicos e a economia.
- O relatório recomenda que o NHS ative uma cláusula de rescisão antecipada no contrato com a Palantir já em fevereiro.
- Além do NHS, o relatório destaca dependências com Microsoft, Amazon Web Services e Fujitsu; Palantir é o foco principal das preocupações recentes.
O comitê de Ciência, Inovação e Tecnologia da Câmara dos Comuns britânica publicou um relatório na terça-feira. O documento alerta para a crescente dependência da Inglaterra de soluções da Palantir e classifica isso como uma vulnerabilidade potencial. A avaliação aponta que o domínio tecnológico do fornecedor pode dar poder de negociação desproporcional no futuro.
O relatório detalha que a dependência pode levar a aumentos de custos e a serviços menos eficazes com o tempo, principalmente por causa do chamado lock-in de fornecedores. A presidente do comitê, a deputada Dame Chi Onwurah, ressalta o risco de o estado ficar preso a uma única empresa.
O documento afirma que, embora as objeções não sejam políticas, há descompasso entre os valores do Reino Unido e as ações da Palantir. Citam declarações do cofundador da empresa e um manifesto baseado em livro do CEO, que reforçam preocupações sobre alinhamento político com os interesses dos Estados Unidos.
Para mitigar riscos, o comitê recomenda que o Serviço Nacional de Saúde atue para activar uma cláusula contratual que poderia terminar o acordo com Palantir já no próximo fevereiro. O NHS figura entre os principais parceiros da empresa no Reino Unido.
A colaboração com Palantir começou em 2020, período de resposta à pandemia, para mapear a propagação do vírus e coordenar o encaminhamento de equipamentos médicos. Desde então, contratos somam centenas de milhões de dólares com o NHS, o Ministério da Defesa e outras entidades.
Além de Palantir, o relatório aponta dependência de fornecedores norte-americanos de nuvem, como Microsoft e Amazon Web Services, e da japonesa Fujitsu. Mesmo assim, o comitê afirma que Palantir é a maior preocupação.
A empresa não respondeu de imediato a pedidos de comentário. A relação com Palantir vem gerando escrutínio por ligações com órgãos de segurança dos EUA e com forças armadas; o manifesto citado acende ainda mais o debate.
Louis Mosley, chefe da operação europeia da Palantir, participou de uma audiência na Câmara no ano anterior, afirmando que a empresa busca apoiar governos democraticamente eleitos e não assume posições políticas como empresa.
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