- Deputados aliados de Lula desembarcam em Washington para ampliar interlocução com democratas e apresentar uma narrativa brasileira alternativa.
- A comitiva é formada por Jandira Feghali, Pedro Uczai, Pedro Campos e André Janones; atuará em áreas como combate ao crime, inteligência financeira e tráfico de armas.
- A viagem acontece em meio a tensões bilaterais, após decisões dos EUA contra o Brasil e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
- Tarifa de até 37,5% sobre produtos brasileiros pode resultar de investigações americanas; o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o Brasil não é visto como país “amigável”.
- Janones afirmou que a esquerda subestimou a aproximação da família Bolsonaro com a Casa Branca; a comitiva pretende entregar um documento de cooperação bilateral e tentar reunião com o Departamento de Estado.
Deputados aliados de Luiz Inácio Lula da Silva desembarcaram nesta semana em Washington com o objetivo de ampliar interlocução com parlamentares democratas. A comitiva busca apresentar uma narrativa alternativa à que vem ganhando espaço nos EUA em relação ao Brasil, especialmente diante de tensões bilaterais em torno de questões estratégicas. A viagem é organizada junto à Washington Brazil Office (WBO).
O grupo reúne Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG). A missão prioriza o diálogo com congressistas democratas e organismos internacionais, para discutir cooperação em áreas como combate ao crime organizado, inteligência financeira e tráfico internacional de armas. Também aguardam retorno para uma possível reunião com o Departamento de Estado.
Na pauta externa, as autoridades dos EUA classificaram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o que pode impactar a relação econômica. Investigação norte-americana de tarifas pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros, conforme avaliações do governo brasileiro.
Mudanças no cenário
Nesta semana, o Departamento de Estado indicou que o Brasil não figura entre os países considerados “amigáveis” aos EUA, o que alimenta o debate sobre alinhamentos estratégicos entre os dois países. A comitiva pretende evitar que a narrativa sobre o Brasil em Washington fique monopolizada por aliados de Bolsonaro.
Janones criticou a percepção de que a aproximação entre a família Bolsonaro e a Casa Branca seria favorável apenas para ganhos superficiais. O deputado afirmou que o campo progressista subutilizou a leitura sobre esse movimento e que a atuação pode render resultados mais substanciais.
Propostas em pauta
Entre as propostas a serem apresentadas está um documento que descreve mecanismos de cooperação bilaterais, incluindo rastreamento de recursos financeiros, combate à lavagem de dinheiro, intercâmbio de informações entre órgãos de investigação e cooperação no combate a crimes transnacionais. O grupo afirma que a cooperação deve prevalecer sobre posturas unilaterais.
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