- O ministro da Controladoria Geral da União, Vinicius Marques de Carvalho, chamou de “hipocrisia” os EUA cobrarem combate à corrupção no Brasil ao mesma tempo em que reduzem a prioridade de punir corrupção de empresas americanas no exterior.
- A reação ocorre após os EUA anunciarem proposta de tarifa de 25% sobre uma lista de produtos importados do Brasil, como parte de uma investigação sobre práticas comerciais.
- O documento do Escritório do Representante Comercial dos EUA cita temas como corrupção, comércio, propriedade intelectual e desmatamento entre alvos da apuração.
- Carvalho afirmou que o Brasil mantém atuação firme no enfrentamento à corrupção, citando mais de 2.200 processos contra empresas desde 2013, cerca de R$ 2,1 bilhões em multas e recuperação de R$ 11,3 bilhões aos cofres públicos.
- O ministro disse que o governo brasileiro não recua e que a postura dos EUA tem apoio da família Bolsonaro; Lula sustenta uma atuação institucional, democrática e soberana no tema.
A CGU afirmou que há uma contradição na posição dos Estados Unidos ao cobrar combate à corrupção no Brasil ao mesmo tempo em que reduzem a prioridade na aplicação de leis anticorrupção em ações contra empresas americanas no exterior. O ministro Vinicius Marques de Carvalho classificou a prática como hipocrisia e ressaltou que o Brasil atua de forma firme no tema.
Em publicação nas redes sociais, o ministro afirmou que a resposta prática do governo federal é investir na investigação, responsabilização e recuperação de recursos públicos, sem abrir mão da soberania nacional. Segundo ele, o Brasil avançou na gestão anticorrupção com atuação institucional fortalecida.
Contexto da tarifa e posição brasileira
A reação ocorreu após a divulgação de uma investigação comercial dos EUA que sugeriu a aplicação de tarifa de 25% sobre uma lista de produtos do Brasil. O relatório americano cita práticas consideradas desleais e aponta potenciais danos a empresas dos EUA. A decisão final sobre a tarifa depende de decisões futuras no governo americano.
O documento do USTR aponta alvos como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais e combate à corrupção, entre outros temas. A atuação final sobre medidas tarifárias depende de avaliação presidencial.
Dados sobre combate à corrupção no Brasil
Carvalho destacou que o Brasil mantém práticas de combate à corrupção por meio da Lei Anticorrupção desde 2013. Mencionou mais de 2.200 processos instaurados, multas de cerca de R$ 2,1 bilhões e recuperação de mais de R$ 11,3 bilhões aos cofres públicos.
Ele informou que, em 2025, a CGU participou de 76 operações com a Polícia Federal, resultando em identificação de prejuízos potenciais superiores a R$ 13,6 bilhões. Auditorias buscaram corrigir distorções e ampliar a eficácia de programas sociais.
Disputa política e atuação brasileira
O ministro sustenta que o Brasil não recua no enfrentamento à corrupção e que atua com transparência, dentro da democracia e da soberania. A fala também sugeriu apoio de setores da família Bolsonaro à linha adotada pelo governo Lula, em meio a discussões sobre a tensão com Washington.
Carvalho reiterou que, desde 2013, a atuação anticorrupção tem registrado resultados relevantes, incluindo acordos de leniência e devoluções significativas. O posicionamento público enfatiza o uso da lei como instrumento institucional, não como arma externa.
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