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Esquerda aciona STF contra Flávio e repete estratégia usada contra Bolsonaro

Esquerda pede ao STF abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro, repetindo estratégia usada contra Bolsonaro após viagem aos EUA

Flávio Bolsonaro rebate acusações culpando Lula por discurso antiamericano (Foto: Ton Molina/Agência Senado)
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  • A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos impulsionou novos pedidos de investigação contra o senador no STF, assinados por parlamentares do PT, PSOL e Rede.
  • As petições repetem a estratégia usada contra Jair Bolsonaro, encaminhando os casos ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos contra Bolsonaro.
  • A ação mais recente foi do deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ), que pediu a inclusão de Flávio no inquérito em que a PGR denunciou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo.
  • A PGR pode opinar pela abertura de inquérito ou pelo arquivamento; Moraes já encaminhou alguns pedidos ao procurador-geral da República para manifestação. A defesa de Flávio não se manifestou até o momento.
  • Flávio acusou Lula de prejudicar o Brasil junto aos EUA e afirmou ter pressionado Trump para não taxar empresas brasileiras; ele também enviou carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com o mesmo objetivo.

Paraísos políticos à parte, a oposição acionou o STF para ampliar investigações contra Flávio Bolsonaro, após a viagem do senador ao exterior. Pedidos de apuração passaram a tramitar no tribunal, com origem em manifestações de parlamentares de PT, PSOL e Rede, que repetem a estratégia já utilizada contra Jair Bolsonaro.

As petições seguem a linha de encaminhar os casos ao ministro Alexandre de Moraes, relator de processos contra Bolsonaro e, neste ano, contra Eduardo Bolsonaro. Em todos os casos, Moraes foi acionado para decidir pela abertura de inquérito ou pelo arquivamento das suspeitas, conforme os pedidos dos parlamentares.

A última ação ocorreu na terça-feira, 2 de junho, quando o deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ) solicitou a inclusão de Flávio no inquérito em que a PGR denunciou Eduardo, no ano passado, por coação no curso do processo. A peça sustenta que houve pressão para influenciar o STF.

A denúncia contra Eduardo envolve suposta pressão para que o governo americano sancionasse Moraes, com base na Lei Magnitsky, e para forçar o STF a absolver Bolsonaro no caso do que é chamado de golpe. Também é apontada articulação para impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.

De acordo com Vieira, a recente proposta do Escritório de Comércio dos EUA de aplicar tarifa adicional estaria vinculada a reuniões de Flávio com autoridades americanas no fim de maio. Nessa visita, o senador teria pedido que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital fossem classificados como organizações terroristas, o que teria sido atendido.

Para o deputado, assim como Eduardo articulou sanções, Flávio teria pressionado autoridades americanas para medidas de pressão econômica que atingiriam o Brasil. O objetivo seria interferir em processos judiciais no STF, segundo a representação.

No sábado, 30 de maio, Lindbergh Farias (PT-RJ) também pediu a inclusão de Flávio no mesmo inquérito, citando a decisão dos EUA de classificar facções criminosas como terroristas. Ele sustentou que a ação dificultaria a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Nesta terça-feira, 2 de junho, Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou pedido semelhante, atribuindo ao senador a responsabilidade pela proposta de tarifa adicional de 25%. A ofensiva legal acompanha críticas de Lula, que chamou Flávio e o irmão de traidores da pátria, em meio a críticas à atuação dos EUA.

Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou publicamente nos autos, segundo a reportagem. A assessoria do senador não respondeu até o momento da publicação.

No cenário institucional, a PGR já mudou de posição em relação a Eduardo. Em 2025, após denúncias de encontros com autoridades americanas, a PGR pediu arquivamento de uma solicitação de investigação. Em seguida, com declarações de autoridades norte-americanas sobre Moraes, houve reversão e a abertura de um inquérito, que resultou na denúncia e no andamento do caso.

A defesa de Eduardo tem contestado a validade da ação penal, destacando imunidade parlamentar e questionando a imparcialidade de Moraes. A linha de defesa sustenta a proteção constitucional de manifestações e a necessidade de análise judicial sem interferência externa.

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