- O Marco Legal da Inteligência Artificial ainda não foi aprovado; o PL 2338/2023 tramita em comissão especial desde 2023, definindo níveis de risco e responsabilidade civil das empresas.
- Desde então, dezenas de ferramentas de IA voltadas ao cidadão foram lançadas no Brasil para leitura de textos, checagem de informações, proteção de crianças e transparência de gastos públicos.
- A Infantia Online usa IA para ler conteúdo produzido por crianças e adolescentes, com foco em identificar bullying, violência, automutilação e sinais de risco, emitindo alertas aos responsáveis.
- Além de normas já existentes, há Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2025, LGPD e Portaria de governança de IA de 2026; iniciativas privadas como Piracanjuba.ai, LegislaTech, Farol Público, Jusbrasil, EscavAI e Forlex LIVIA Cidadão também atuam.
- O conjunto de iniciativas forma uma espécie de constituição informal da IA cidadã brasileira, com uso de dados verificáveis de fontes oficiais, supervisão humana e explicação/resumo, sem que a IA tome decisões pelo cidadão.
A IA cidadã avança no Brasil mesmo sem um marco legal definitivo. Startups, laboratórios cívicos, universidades e o próprio Estado já lançaram ferramentas para proteger crianças, checar informações e fiscalizar recursos públicos. O Brasil caminha para regras de uso da IA no cotidiano antes de uma lei específica.
Desde 2023, tramita no Congresso o PL 2338/2023, que propõe classificação de sistemas por níveis de risco e responsabilização civil das empresas. Enquanto isso, dezenas de iniciativas privadas e públicas emergem para ler, classificar e resumir grandes volumes de dados públicos com modelos de linguagem avançados.
A Infantia Online, app gratuito da startup Infantia em parceria com a Embrapii USP, lê conteúdos de crianças e adolescentes para detectar bullying, violência e pedidos indiretos de ajuda. O sistema anonimiza dados e processa em ambiente seguro, com alertas para responsáveis quando há sinais de alerta.
Segundo a USP, o julgamento de risco envolve o que a criança lê e consome, não apenas o histórico de links acessados. O ecossistema associado inclui cursos para pais, blogs e parcerias com Embrapii, Fapes, Sebrae, Ufes e USP, além de entidades públicas.
Iniciativas como Bark (EUA) e Qustodio ganham espaço internacional com monitoramento de textos, redes e voz. No Brasil, Piracanjuba.ai oferece portal de transparência municipal com dados de órgãos públicos, centralizando informações de Goiânia e debases oficiais, com documentação de fontes.
Gianluca Ferro, criador do Piracanjuba.ai, afirma que o projeto oferece utilidade cívica diária, indo além de contratos e licitações, com dados vinculados a fontes oficiais e log público auditável. A referência histórica é a Serenata de Amor, da Open Knowledge Brasil, que auditou reembolsos públicos com assistentes de IA.
Outras iniciativas citadas incluem o Querido Diário, que transforma diários oficiais em texto pesquisável, e projetos conectados como LegislaTech, Diários do Clima e Exoonero. O Farol Público, do Instituto Nossa Itaba, avalia a transparência municipal com IA que não interfere no ciclo público, com revisão humana.
Para compras públicas, o AI Contract Summarizer resume contratos governamentais em horas, ajudando jornalistas e sociedade civil. No âmbito privado, Jusbrasil lança o recurso Entender para traduzir movimentações processuais, e Escavador apresenta o EscavAI, com base em mais de 450 milhões de processos.
O Forlex LIVIA Cidadão é a novidade mais recente, operando gratuitamente por WhatsApp para dúvidas civis, conectado a 81 tribunais. A plataforma alerta que não substitui advogado e não elabora petições ou pareceres, mantendo orientações gerais.
O que resta no Brasil é consolidar um marco específico para questões técnicas de IA, com diretrizes de governança. A Resolução CNJ 615/2025 estabelece governança e supervisão no Judiciário, enquanto a LGPD assegura direito de revisão de decisões automatizadas.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos já adotou a Política de Governança de IA pela Portaria 3.485/2026, priorizando uso ético, seguro, transparente e avaliação de impactos. Modelos de implementação variam conforme o projeto, com foco em evitar vieses e manter transparência.
A soma dessas iniciativas forma uma espécie de constituição informal da IA cidadã brasileira: tradução, explicação e resumo, sem substituir o cidadão pela máquina, com dados verificáveis em fontes oficiais, supervisão humana e limites explícitos de uso.
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