- Júri de Jairinho e Monique Medeiros chega ao décimo dia no Rio de Janeiro, com possibilidade de sentença ainda nesta sessão.
- Ao todo, já foram ouvidas vinte e duas testemunhas; defesa e acusação terão tempo dividido para apresentar teses.
- Monique Medeiros alegou ciúmes excessivos de Jairinho, que a dopou no dia da morte, e disse ter descoberto a causa somente com o laudo do IML; confessou acreditar que o companheiro fosse responsável.
- Jairinho negou violência contra ex-namoradas e tortura ao enteado, atribuindo as acusações a falsas denúncias e destacando falhas médicas e de investigação.
- Henry Borel, com quatro anos, morreu em 2021; Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel e coação, enquanto Monique é acusada de homicídio por omissão qualificada e coação.
O júri que julga o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros chega ao 10º dia nesta quarta-feira. A sentença pode ser proferida ainda nesta sessão, após o encerramento dos debates entre defesa e acusação. O caso envolve a morte de Henry Borel, ocorrida em 2021 no Rio de Janeiro.
Ao longo de nove dias de sessão, 22 testemunhas foram ouvidas, além dos dois réus, em um julgamento considerado o mais longo desde a reforma do Código de Processo Penal, em 2008. A expectativa é que a sessão de hoje dure mais de 9 horas, com cada lado tendo tempo para sustentar suas teses.
Depoimentos de Monique Medeiros e Jairinho
Nesta terça-feira, Monique Medeiros foi a primeira a falar no plenário, conforme determinação do desembargador. Ela descreveu o relacionamento com Jairinho, a mudança de residência e o comportamento do filho, apontando regras de convivência e o controle exercido pelo parceiro. Disse acreditar que o ciúme dele era uma forma de cuidado.
Monique relatou que, no dia da morte, acreditou tratar-se de um acidente doméstico até receber o laudo do IML, que confirmou laceração hepática causada por violência. Ao ser questionada sobre a possível autoria, ela afirmou acreditar que Jairinho poderia ser o responsável.
Jairinho, por sua vez, negou as acusações de violência contra ex-namoradas e de participação na morte de Henry. Ele também negou ter tido qualquer relação com as denúncias feitas pela babá Thayná Ferreira, apontando inconsistências nas provas apresentadas pela defesa da vítima.
O réu contestou ainda a acusação de omissão de socorro, levantando a possibilidade de falhas no atendimento hospitalar. A defesa destacou que o hospital Barra D’Or não disponibilizou imagens desde a entrada do menino e abordou um suposto erro médico no atendimento.
Relembre o caso
Henry Borel faleceu aos 4 anos, em 8 de março de 2021, na Barra da Tijuca. Os responsáveis legais apontados pela Justiça são Jairinho, médico e então vereador, e Monique Medeiros, mãe da criança. A acusação sustenta homicídio qualificado por meio cruel e coação no curso do processo; Monique é acusada de homicídio por omissão qualificada.
O Ministério Público e a defesa terão, cada um, 2h30 de apresentação para sustentar suas teses, com réplica e tréplica permitidas. Ao final, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, decidirá por maioria o destino dos réus. A juíza Elisabeth Machado Louro anunciará a sentença assim que as falas encerrarem.
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