- Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, diz que o novo tarifaço dos Estados Unidos e a narrativa Lula versus Flávio Bolsonaro podem influenciar as próximas pesquisas de 2026.
- Ele lembra que, no passado, tarifas americanas ajudaram Lula a recuperar espaço, mas o contexto atual é diferente e o impacto pode ser menor.
- Há uma disputa narrativa: Lula busca associar o encontro de Flávio com Trump às tarifas; a oposição tenta evitar que o patriotismo ganhe força.
- O episódio envolvendo o Banco Master, que atingiria a imagem de Flávio, pode perder força diante de novos fatos políticos, segundo Hidalgo.
- Hidalgo aponta que a polarização entre Lula e Flávio tende a se fortalecer até 2026, com temas econômicos ainda relevantes, mas risco de foco em ataques entre adversários.
O novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos pode influenciar a corrida presidencial brasileira de 2026, segundo Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas. Em entrevista ao telejornal VEJA em Foco, ele afirmou que medidas associadas a Donald Trump devem impactar Lula e Flávio Bolsonaro nas próximas pesquisas.
Hidalgo disse ainda que não é possível medir efeitos imediatos, mas que as próximas pesquisas devem captar a percepção do eleitor. A avaliação ocorre no contexto de uma disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, com foco na polarização eleitoral.
Segundo o pesquisador, o episódio anterior de tarifas sobre produtos brasileiros ajudou Lula a recuperar terreno nas pesquisas. “Foi quando o Lula voltou a crescer”, declarou, embora tenha ressaltado que o cenário atual é diferente e pode ter menor alcance.
Há uma disputa narrativa em curso. Lula tenta associar o encontro de Flávio com Trump às consequências tarifárias, enquanto a oposição reage para evitar que a narrativa do patriotismo ganhe força, destacando o gesto como um fator de custo.
O caso Banco Master, que envolveu Flávio Bolsonaro, pode perder força no debate político, na avaliação de Hidalgo. Ele sinalizou que o senador já sofreu impactos nos levantamentos, mas que a dinâmica eleitoral tende a evoluir rapidamente.
Ao discutir o encontro com Trump, Hidalgo ponderou sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA. Ele reforçou que ainda é cedo para medir o alcance eleitoral dessa medida e questionou sua permanência.
A duração da pauta no noticiário e a possibilidade de novas pautas dominarem o debate devem influenciar o efeito eleitoral. O pesquisador destacou a instabilidade do cenário político e a incerteza sobre o impacto de decisões pontuais.
A relação com temas do cotidiano pode ficar em segundo plano, segundo Hidalgo. Ele apontou risco de a eleição ficar dominada por ataques entre candidatos, com menos espaço para saúde, segurança pública e mobilidade urbana.
Mesmo com a polarização, o pesquisador vê potencial de relevância para temas econômicos que afetam o bolso do eleitor. A expectativa é de que o debate ganhe peso ao longo da campanha, sem que se rejeite completamente a discussão de políticas públicas.
O pesquisador afirma que a polarização tende a se intensificar até 2026. “Quanto mais esse embate, mais forte fica o racha”, comentou. O desafio é para candidaturas alternativas surgirem com consistência.
O caminho para o desfecho eleitoral, segundo Hidalgo, passa pela capacidade de cada campo político de atravessar crises e chegar fortalecido ao fim de setembro ou outubro, quando pode haver um segundo turno.
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