- A ADPESP negou que a operação Wi-Fi Livre tenha motivação política, dizendo que foi cumprimento de demanda do Ministério Público do Estado de São Paulo.
- A operação ocorreu na segunda-feira e mirou o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à Go UP Entertainment, produtora do filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro.
- O contrato previa 5 mil pontos de acesso gratuitos, com 3,2 mil já implementados, e o valor total era de R$ 108 milhões.
- A Prefeitura de São Paulo informou que o programa funciona, que 52 pontos estavam off-line em manutenção e que não houve pagamento por 5 mil pontos.
- Autoridades e representantes envolvidos defenderam Karina Ferreira da Gama, enquanto o ICB afirma cumprir a lei e que a coincidência de gerência não configura irregularidade.
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), André Santos Pereira, afirmou que a operação Wi-Fi Livre não teve motivação política. Em entrevista publicada pela Folha de São Paulo, ele disse que a instituição apenas cumpriu uma demanda do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A declaração reforça a ideia de atuação institucional da polícia como parte de uma investigação em curso.
A operação ocorreu na segunda-feira, 1º de julho, e teve como alvo o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Além do presidente do ICB, Karina Ferreira da Gama, a figura também está ligada à Go UP Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo foi apurar suspeitas de irregularidades em contratos para fornecimento de Wi-Fi gratuito em São Paulo. O contrato tinha valor de 108 milhões de reais para implantar 5 mil pontos de acesso.
A Prefeitura de São Paulo informou colaboração às investigações e destacou que o programa funciona, com 3,2 mil pontos já instalados. Porém, apenas parte dos pontos estava em funcionamento no momento da operação. O acordo não envolveu pagamentos por mais pontos do que os já operacionais, segundo a gestão municipal.
Envolvidos e desdobramentos
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que, se a motivação for o filme, poderia caracterizar perseguição política, e defendeu Karina Ferreira da Gama. Flávio, aliado, também sugeriu que a operação poderia buscar evidências para atingir o instituto ligado ao projeto cinematográfico. O deputado federal Mario Frias (PL-SP) encaminhou ao ICB uma emenda de 1 milhão de reais; a emenda é objeto de análise em uma ação sobre transparência e controle de recursos.
Frias afirmou apoiar Karina e disse que a produtora está sendo utilizada politicamente, com novas explicações esperadas. A defesa do ICB ressaltou que a coincidência de liderar duas pessoas jurídicas não configura irregularidade e que os projetos seguem etapas legais e de compliance.
Posições oficiais
O ICB divulgou nota assegurando respeito às prerrogativas legais, cumprimento de normas do terceiro setor e transparência na prestação de contas. A Prefeitura de São Paulo reiterou a colaboração com as autoridades e informou que toda documentação está disponível no sistema de acesso público, com evidência de que apenas 3,2 mil pontos passaram por manutenção.
A administração municipal destacou que o chamamento público ocorreu em 2024, sem relação com o filme, e que o custo estimado para 2026 é de 1.280,80 reais por ponto/mês, inferior às propostas recebidas em 2022. Não houve pagamentos por mais pontos além dos já instalados, conforme apurado pela prefeitura.
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