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Mineração de ouro prejudica comunidades de escaravelhos na Amazônia, aponta estudo

Mineração artesanal de ouro na Guiana destrói comunidades de besouros de esterco; recuperação pode levar décadas, com solos degradados e microclima alterado

Oxysternon festivum, the most common dung beetle found in the study. Image by Tom Murray via iNaturalist (CC BY-NC 4.0).
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  • Em Guyana, estudo avaliou 16 sítios de mineração de ouro artesanal abandonados e 5 florestas intactas como controle, para entender impactos a longo prazo.
  • Em cada sítio, amostras de escaravelos de esterco foram coletadas no centro da mineração, na borda e a cerca de 100 metros na floresta, totalizando 8.187 besouros de 44 espécies.
  • A quantidade e a diversidade de escaravelos aumentaram com a distância do centro da mineração, com mais indivíduos nos sítios de controle.
  • Não houve evidência de recuperação das comunidades de escaravelos mesmo após até duas décadas do abandono; centros das minas apresentaram temperaturas mais altas e menor cobertura de dossel.
  • Os pesquisadores sugerem que solos severamente degradados, bancos de sementes afetados e microclimas alterados podem impedir a restauração da vegetação e do habitat desses insetos; os escaravelos são apontados como bioindicadores úteis.

A mineração artesanal de ouro provoca danos significativos às comunidades de besouros detritívoros na região amazônica. Estudo recente aponta que, em Guyana, esse tipo de atividade destrói populações de dung beetles e atrasa sua recuperação por décadas.

Os pesquisadores acompanharam 16 sítios de mineração de ouro que estão abandonados no noroeste de Guyana. A ideia foi compreender o legado ecológico de longo prazo da mineração, escolhendo os besouros por serem fáceis de amostrar e por participarem de funções-chave no ecossistema da floresta, como ciclagem de nutrientes e dispersão de sementes.

Para comparação, foram monitoradas também cinco florestas intactas próximas, servindo como controle. Em cada sítio, as coletas ocorreram no centro da mineração, na borda com a floresta e a cerca de 100 metros adiante, dentro do bioma. A captura ocorreu por meio de armadilhas com esterco humano.

Sean Glynn, do Reino Unido, liderou o estudo. Ele explicou por e-mail que o acampamento remoto dificultou o uso de outro tipo de isca, mas o esterco humano mostrou ser o mais eficaz para as armadilhas.

Além dos besouros, os pesquisadores registraram temperatura do ar e a estrutura da vegetação em cada local de mineração e nas áreas de controle. No total, foram coletados 8.187 besouros, representando 44 espécies distintas.

Os resultados indicam que o número e a diversidade de besouros aumentam com a distância do centro da atividade mineradora, com as maiores concentrações nas áreas de controle. Não houve sinal claro de recuperação, mesmo em áreas removidas há duas décadas.

O estudo aponta ainda que centros de mineração apresentam temperaturas mais altas e cobertura de dossel reduzida em relação aos demais pontos amostrados. Esses fatores, segundo a equipe, podem impedir a reconstrução de habitats favoráveis aos besouros.

Conclusões parciais indicam que solos gravemente degradados, bancos de sementes comprometidos e microclimas alterados podem dificultar a restauração da estrutura florestal necessária ao retorno dos besouros. Ainda assim, os autores observam que ações de reflorestamento podem ajudar, mas precisam ser avaliadas quanto à eficácia na recuperação da vegetação e, por consequência, da biodiversidade.

Especialista em dung beetles, Trond Larsen, da Conservation International, ressaltou que os besouros podem servir como bioindicadores de impactos ambientais. Segundo ele, medir tudo é inviável, e os besouros oferecem indicadores de biodiversidade acessíveis para entender perdas provocadas pela mineração de ouro.

Para o estudo, os pesquisadores também destacaram a necessidade de estratégias que acelerem a recuperação da vegetação, o que facilitaria o retorno de espécies como os besouros detritívoros.

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