- O Instituto Conhecer Brasil repassou R$ 1,3 milhão à empresa Complexsys em dezembro de 2024, quando um de seus dirigentes era sócio da própria empresa.
- Os pagamentos integraram convênio da ONG com a Prefeitura de São Paulo para instalação de cinco mil pontos de wi‑fi livre em comunidades de baixa renda.
- A prefeitura afirmou que a análise jurídica na época não identificou vedação formal à parceria, e que mantém controles e normas de integridade.
- Tanto o ICB quanto Eduardo Franco não se manifestaram; a Complexsys também não respondeu.
- A Polícia Civil investiga irregularidades ligadas ao contrato entre a prefeitura e o ICB, inclusive notas fiscais da Complexsys que teriam sido canceladas, mas usadas para comprovar despesas.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) repassou R$ 1,3 milhão à empresa Complexsys em dezembro de 2024, período em que um de seus dirigentes integrava o quadro societário da companhia. O dinheiro foi destinado ao convênio com a Prefeitura de São Paulo para instalar 5.000 pontos de wi-fi público em comunidades de baixa renda da capital.
A operação envolve o repasse feito pela ONG à Complexsys logo após a eleição de Eduardo Franco como dirigente do ICB, em novembro de 2024. Franco integrava a diretoria do ICB e era sócio da Complexsys no momento dos pagamentos. A contratação visava verificação, análise, validação e suporte técnico aos pontos de acesso.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que a análise jurídica na época não identificou vedação formal à parceria. Em nota, o município disse seguir os critérios legais, mecanismos de controle e normas de integridade previstos para parcerias e serviços. A prefeitura não detalhou eventuais impactos futuros sobre o contrato.
O contexto envolve ainda dúvidas sobre conflito de interesses na relação entre ONG e empresa de seus dirigentes. Técnicos municipais aprovaram as contas do primeiro ano do convênio, de julho de 2024 a julho de 2025, sem apontar irregularidades. Não foram apresentadas informações de prestação de contas para o período seguinte.
Quem responde pelo ICB é a presidente Karina da Gama, ligada à produção de projetos culturais relacionados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A Complexsys teve representação de um de seus sócios, André Feldman, no acordo de agosto de 2024.
A Polícia Civil de São Paulo investiga o contrato entre a Prefeitura e o ICB, com foco em potenciais desvios de verbas públicas para fins ligados ao filme. A investigação apura notas fiscais da Complexsys registradas como serviços prestados, mas supostamente canceladas no dia da emissão e utilizadas para comprovação de despesas.
Além do caso da Complexsys, há apurações sobre outra iniciativa envolvendo o ICB e a ANC, ONG presidida por Karina da Gama, com uso de recursos para contratação de profissionais de divulgação. Também há ligação entre o projeto e produtores ligados a Karina e a emenda parlamentar de Mário Frias, que envolve o roteiro de Dark Horse.
Investigações e próximos passos
As autoridades seguem reunindo documentos e esclarecimentos. A prefeitura afirma que manterá o escrutínio sobre contratos com organizações da sociedade civil e que continuará cumprindo os princípios de transparência. A Estada não divulgou novas informações de contato com as partes envolvidas.
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