- A ANP avalia mudanças nas regras do GLP, incluindo a recarga parcial de botijões e a possibilidade de uma empresa envasar recipientes de outras marcas, hoje proibidas.
- O especialista David Zylbersztajn considera o fracionamento do gás economicamente infundado e ressalta que o botijão cheio é a opção mais estável para consumidores, especialmente o de 13 quilos.
- Além da relação econômica, há preocupações de segurança: o GLP é mantido sob alta pressão e a identificação do fabricante no botijão, que hoje traz a marca da envasadora, oferece segurança ao consumidor.
- Alega-se ainda que o fracionamento imporia nova logística de enchimento, com trocas mais frequentes e necessidade de infraestrutura que não existe no momento.
- Há preocupação com a criminalidade no setor: milícias já atuam coercitivamente e a expansão do sistema poderia favorecer a infiltração do crime organizado, segundo o especialista.
A ANP analisa mudanças históricas nas regras de venda de gás de cozinha. Entre as propostas em debate estão a recarga parcial de botijões e a autorização para que uma empresa possa encher recipientes de marcas diferentes, medidas hoje proibidas. Trata-se de uma discussão de grande relevância social, já que o GLP está presente em cerca de 90% dos domicílios brasileiros.
Especialistas avaliam impactos da mudança. O colunista David Zylbersztajn, da CNN Infra, questiona os benefícios para o consumidor e aponta riscos de segurança. Ele lembra que existem mais de 100 milhões de botijões de 13 kg no país, principal alvo das mudanças propostas.
Proposta não é nova
Zylbersztajn ressalta que o tema volta à tona há mais de duas décadas. O botijão de 13 quilos é o foco principal, e a discussão envolve aspectos técnicos de armazenamento e distribuição, bem como a confiabilidade das garrafas.
Para o especialista, o fracionamento econômico não faz sentido. Ele defende que a prioridade deveria ser melhorar programas de atendimento, assegurando que famílias recebam botijões cheios com regularidade.
Segurança e logística em debate
O gás é mantido sob alta pressão e requer manuseio adequado. A identificação do fabricante no botijão é apontada como garantia de qualidade, o que poderia ficar comprometido com as mudanças propostas, segundo o analista.
A ampliação da troca de botijões também exigiria estrutura logística ainda inexistente. Aumento da frequência de recargas implicaria novas operações de enchimento, com custos e infraestrutura não previstos hoje.
Riscos para a criminalidade e a proteção ao consumidor
Zylbersztajn afirma que milícias já atuam no setor, incluindo coerção de consumidores para comprar de fornecedores específicos. A expansão do fracionamento, na visão dele, poderia facilitar a atuação do crime organizado.
O especialista diz que o consumidor não seria beneficiado no longo prazo, com menor segurança no botijão. Ele recomenda fortalecer o combate ao crime no atual formato e ampliar programas sociais de transferência de renda para o acesso ao gás.
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