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Diretor da PF critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e defende foragidos

Diretor da Polícia Federal classifica a decisão dos EUA de listar CV e PCC como terroristas como equívoco, mas vê chance de ampliar cooperação para prender foragidos

Diretor da PF classificou como um "equívoco" a decisão dos EUA, mas vê oportunidade de reforçar cooperação para capturar foragidos. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
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  • O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como equívoco a decisão dos Estados Unidos de considerar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital organizações terroristas.
  • Ele explicou que terroristas têm motivação ideológica, enquanto o crime organizado busca lucro, e afirmou que a mudança não altera as políticas brasileiras de enfrentamento.
  • Rodrigues disse que a classificação pode ampliar a cooperação com os EUA, incluindo troca de informações, bloqueio de armas e prisão de foragidos.
  • Em abril, o governo dos Estados Unidos expulsou o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho do posto em Miami, após acusação de tentar acelerar a repatriação de Alexandre Ramagem.
  • Ramagem acabou detido e, posteriormente, liberado; foi condenado a dezesseis anos de prisão por suposto golpe de Estado, deixou o país e permanece foragido no Brasil, com solicitação de extradição em curso.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, considera equívoco a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi anunciada no fim de maio e entrou em vigor nesta sexta-feira 5. No Brasil, a PF mantém o enfoque de combate ao crime organizado, distinguindo-o do terrorismo ideológico.

Rodrigues afirmou, em entrevista à TV Globo, que terroristas atuam por motivos ideológicos, enquanto o crime organizado busca lucro. Segundo ele, a definição de terroristas não altera as estratégias de enfrentamento no Brasil, o que, na visão dele, pode dificultar a cooperação internacional em alguns aspectos, mas não muda o objetivo de combate.

Apesar da crítica, o chefe da PF vê potencial de ampliar a cooperação com os EUA. Ele destacou que a designação pode facilitar troca de informações, bloqueio de armas e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos.

Contexto internacional

O anúncio norte-americano ocorre em meio a tensões entre Brasil e EUA sobre cooperação policial. Em abril, o governo de Donald Trump expulsou um delegado da PF em Miami, após acusações envolvendo manipulação do sistema migratório para favorecer a repatriação de um ex-deputado.

O ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos, teve a detenção nos EUA anotada, mas foi liberado. Ramagem viveu em Miami, e o governo brasileiro solicitou a extradição. O episódio gerou desdobramentos diplomáticos entre os dois países.

Crises e desdobramentos locais

No âmbito interno, o governo brasileiro já tomou medidas paralelas: houve mudanças com a retirada de credenciais de um oficial de imigração dos EUA lotado na PF em Brasília, decisão que foi revertida, e o Itamaraty cancelou o visto de outro agente que atuava no Brasil, que retornou aos EUA.

A PF mantém seu foco no combate ao crime organizado, ressaltando que a nova designação não altera suas políticas estratégicas. A operação conjunta com autoridades americanas pode tornar-se mais eficaz com maior intercâmbio de informações.

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