- Entre 2015 e 2025, 71 mulheres tiveram mandatos cassados ou foram alvo de cassação em 19 unidades da Federação.
- O primeiro caso ocorreu em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff; 2023 registrou 11 casos e 2025 alcançou 30 episódios.
- Vereadoras respondem por cerca de 73% das vítimas, enquanto deputadas estaduais, distritais e federais somam 20%.
- Quase metade das cassações (40%) atingiu parlamentares filiados ao PT ou ao Psol; os pedidos vêm principalmente de grupos de direita e centro-direita (70%).
- Em 78% dos casos, os agressores são homens cisgênero; o estudo classifica os episódios como backlash político-ideológico contra mulheres progressistas.
O levantamento divulgado na Assembleia Legislativa de São Paulo aponta que 71 mulheres tiveram mandatos cassados ou foram alvo de cassação entre 2015 e 2025. O estudo, realizado pelo Instituto E Se Fosse Você, abrange 19 unidades da Federação. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, na Alesp.
Segundo a pesquisa, o volume de casos subiu notably a partir de 2019, coincidente com o governo de Jair Bolsonaro. O primeiro registro ocorreu em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2023 houve 11 cassações, e 2025 registrou o maior número, 30 episódios.
As vereadoras são as principais vítimas, respondendo por 73% dos casos. Deputadas estaduais, distritais e federais representam 20% das ocorrências. A cobrança é interpretada pela pesquisa como um *backlash* contra avanços de direitos das mulheres.
Quase metade das congressistas atingidas tem filiação ao PT ou ao Psol, cerca de 40%. Já os autores dos pedidos de cassação são majoritariamente de direita e centro-direita, somando 70%, com atuação de partidos como PL, União Brasil, PP, PSD e MDB. Homens cisgêneros aparecem como agressores em 78% dos casos.
O estudo aponta que a violência institucional contra mulheres progressistas está associada a posicionamentos políticos e agendas de gênero publicamente defendidas. Os pesquisadores destacam que cassações refletem padrões hostis ideológicos, com atuação de bancadas conservadoras; o PT aparece tanto como vítima quanto, em menor grau, como agente em conflitos internos.
Este texto foi adaptado para o Poder360 a partir da Agência Brasil, com republicação permitida mediante citação da fonte.
Contexto e perfil das vítimas e autores
Do total de cassações, as vereadoras respondem por quase três quartos dos casos, enquanto deputadas enfrentam a maior parte das cassações em âmbitos estadual e federal. As motivações envolvem posicionamentos políticos e resistência a mudanças legislativas.
Dados por ano e abertura de tendências
A curva de cassações mostra crescimento desde 2019, com pico em 2025. O estudo ressalta que o patamar de ataques não se restringe a questões de gênero, envolvendo também disputas ideológicas e estratégias partidárias.
Fonte do estudo
O levantamento é intitulado Mulheres Ameaçadas no Brasil: dos feminicídios às cassações de mandatos (2015-2025). Além de dados sobre cassações, ele aponta impactos da polarização política no ambiente legislativo.
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