- O senador Ciro Nogueira afirmou ser “um dos homens mais importantes do país” para justificar sua relação próxima com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que ele chama de amigo e irmão.
- A PF investiga possível esquema envolvendo Vorcaro, com pagamentos de até R$ 500 mil mensais ao senador para defender interesses do Master no Congresso, além de cartão de crédito pessoal, hospedagens e custeios de viagens.
- A relação também inclui comunicação sobre moradia: Nogueira pediu para permanecer em apartamento cedido pelo empresário, mesmo após ter comprado um para a esposa.
- Em 2021, Ciro Nogueira ocupou o posto de Ministro-Chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro e, em viagem a França em janeiro de 2025, participou de passeio com Vorcaro e familiares.
- Vorcaro permanece preso preventivamente desde 4 de março, alvo da Operação Compliance Zero, sob investigação por chefiar suposta organização criminosa ligada a fraudes financeiras, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
Ciro Nogueira, senador pelo PP do Piauí, justificou sua proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao afirmar que ocupa posição de destaque no país e, por isso, mantém contato com grandes empresários, incluindo banqueiros. A relação foi revelada pela revista Piauí, que mostrou mensagens com termos como amigo, irmão e irmãozão entre os dois.
Em entrevista ao portal Piripiri Repórter, o senador explicou que seu papel político facilita encontros com empresários de grande influência, o que ele atribui ao crescimento de sua relevância nacional. Ele também comentou que acusações sobre vínculos com fraudes são comuns em períodos eleitorais e que confia no conhecimento da população do Piauí sobre seu trabalho.
Nogueira está em seu quarto mandato como senador, com atuação desde 2011, e já ocupou o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil em 2021, no governo de Jair Bolsonaro. A defesa afirma que as relações empresariais são lícitas e que não houve irregularidade em qualquer parceria mencionada.
Investigações da PF e vínculos com o Master
Segundo conteúdo divulgado pela PF, o senador teria recebido mensalidade de até R$ 500 mil do banqueiro para defender interesses do Master no Congresso, além de possuir cartão de crédito custeado por Vorcaro, com hospedagens e viagens pagas. O apartamento onde Nogueira reside foi alvo de busca e apreensão, ação interpretada pela defesa como perseguição eleitoral.
Registros de uma viagem à França, em janeiro de 2025, indicam a participação de Nogueira, uma de suas filhas, Maria Eduarda, Vorcaro e a namorada dele na época, a influenciadora Martha Graeff. A relação comercial com a CNFL Empreendimentos Imobiliários, da qual são sócios Nogueira, suas filhas e a ex-mulher, também é objeto de investigação pela PF, que suspeita de ocultação de vantagens indevidas ligadas ao suposto esquema do Master.
Vorcaro segue em prisão preventiva desde 4 de março, relacionado à Operação Compliance Zero. A PF aponta que o grupo chefiado pelo banqueiro estaria envolvido em fraude milionária, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, com atuação que incluía hackers, servidores públicos e até milícia privada para espionagem e monitoramento de críticos. A defesa do senador nega irregularidades e afirma conformidade das relações empresariais.
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