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ONGs em São Paulo movimentam R$ 9,8 milhões em emendas de vereadores

Rede de ONGs em São Paulo movimentou R$ 9,8 milhões em emendas de vereadores por meio de contratos cruzados; prefeitura instaurou apuração do caso

ONGs em São Paulo movimentaram R$ 9,8 milhões em emendas de vereadores em teia de contratos cruzados; Prefeitura instaurou procedimento para apurar o caso após contato do 'Estadão'
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  • Uma rede de ONGs em São Paulo movimentou ao menos R$ 9,8 milhões em emendas de vereadores, via contratos cruzados entre entidades e empresas ligadas aos seus dirigentes.
  • O levantamento analisou 120 prestações de contas de convênios entre seis ONGs e a Prefeitura de São Paulo, entre 2020 e 2025, identificando repasses em que organizações contratam umas às outras para executar projetos.
  • A subcontratação cruzada é proibida pela legislação; especialistas alertam que esse formato em rede pode gerar conflitos de interesse e enfraquecer a fiscalização.
  • A Prefeitura informou que abriu procedimento com a Controladoria Geral do Município (CGM) para apurar o caso e que, até o fim do processo, as organizações citadas estão impedidas de prestar serviços à administração.
  • As entidades envolvidas são IDECCS, Ipos, Nucreative, Inpes, Instituto Arte, Terapia e Felicidade e Instituto Família Gamação Danada; vereadores que indicaram as emendas pertencem a nove siglas diferentes.

Uma rede de ONGs em São Paulo movimentou ao menos 9,8 milhões de reais em emendas de vereadores, entre 2020 e 2025, em um conjunto de contratos cruzados. O levantamento analisou 120 prestações de contas entre seis entidades e a Prefeitura da capital.

O Ministério Público municipal instaurou procedimento após o contato do Estadão e suspendeu novos convênios com as ONGs até conclusão da apuração. A Prefeitura informou que repasses oriundos de emendas seguem regras específicas e que a gestão é de responsabilidade das OSCs.

Entre 17 vereadores de diferentes siglas, as emendas indicaram as seis organizações como beneficiárias. As entidades são IDECCS, Ipos, Nucreative, Inpes, Instituto Arte, Terapia e Felicidade, e Instituto Família Gamação Danada, todas com vínculos entre si.

Mudança de tema e rede de contatos

O IDECCS foi subcontratado pelo Nucreative em 2 milhões de reais, com três dirigentes em comum. O IDECCS também contratou o Nucreative, no valor de 391 mil reais, em contrapartida. Outros vínculos incluem o Ipos, com compartilhamento de dirigentes e réplica de contratos com IDECCS e Nucreative.

O Ipos recebeu 1,6 milhão de recursos do emaranhado, incluindo repasses do IDECCS e do Nucreative. O Inpes, que atua no mesmo espaço físico, destinou 1,1 milhão em contratos às ONGs parceiras. Os demais vínculos envolvem o Instituto Arte, Terapia e Felicidade e o Instituto Família Gamação Danada, com fluxos expressivos de repasses entre as entidades.

Situação atual e próximos passos

A Prefeitura informou que há transparência e controle das parcerias, mas não detalhou aspectos de cada contrato. A Controladoria Geral do Município passa a acompanhar o caso, e as organizações citadas estão impedidas de prestar serviços à administração até nova orientação.

O levantamento aponta que o montante total de repasses entre 2020 e 2025 pode superar o valor já apurado, uma vez que nem todos os termos tinham prestações de contas concluídas. A Câmara manteve a posição de autonomia das emendas, destacando que a execução é de responsabilidade do Executivo.

As organizações não divulgaram posicionamento oficial até o momento e foram procuradas para entrevista. A reportagem ressalta que o marco regulatório das OSCs estabelece responsabilidades administrativas e financeiras sob a gestão da própria entidade.

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