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Oxford propõe solução para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas

Estudo de Oxford e FGV mostra que corrigir caricaturas do outro lado reduz a hostilidade entre lulistas e bolsonaristas

Lula (PT) lidera as estimativas de intenção de voto sobre Flávio Bolsonaro (PL) para 2026, em uma disputa que deve reeditar a polarização de quatro anos atrás.
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  • estudo conjunto de Oxford e Fundação Getulio Vargas (FGV-Ebape) mostrou que lulistas e bolsonaristas superestimaram o extremismo do outro grupo, o que alimenta a hostilidade.
  • na eleição de 2022, bolsonaristas estimaram que 81% dos lulistas defendiam aborto no primeiro trimestre, mas o apoio real era de 46%.
  • lulistas subestimavam a adesão de bolsonaristas a cotas universitárias (pensavam 27%; o apoio real era próximo de 80%).
  • o experimento do estudo mostrou que, ao corrigir essas percepções, a rejeição ao outro lado caía, principalmente em relação ao aborto; impactos menores ocorreram para desmatamento e cotas.
  • a recomendação é que as pessoas verifiquem o que o outro lado realmente pensa, para reduzir antipatia e facilitar o diálogo político.

O estudo em parceria entre a Universidade de Oxford e a FGV-Ebape analisou como lulistas e bolsonaristas superestimam o outro lado. A pesquisa, publicada na Nature Communications, ouviu milhares de brasileiros entre abril de 2022 e janeiro de 2023, período que envolve as eleições de 2022.

Os autores mostraram que os dois grupos tendem a visualizar o adversário como mais radical do que realmente é. Em 2022, por exemplo, bolsonaristas diziam que 81% de lulistas defendiam a legalização do aborto, enquanto a realidade era 46%. Os lulistas estimavam que 27% dos bolsonaristas apoiavam cotas, quando o apoio real chegava a 80%.

A condução do levantamento envolveu várias rodadas com o mesmo conjunto de participantes, o que permitiu acompanhar mudanças ao longo do tempo. Anna Petherick, líder da pesquisa, destaca que o erro de leitura é maior entre quem convive com o próprio grupo.

Polarização afetiva

A pesquisa define a polarização afetiva como a antipatia entre grupos, distinta da discordância ideológica. O índice de aprovação entre os grupos, medido de 0 a 100, aponta que, em 2022, a percepção do próprio grupo era em média 72, enquanto o rival recebia 17.

Os autores ressaltam que culturas individualistas podem intensificar a percepção de que o outro está errado. Redes sociais também potencializam exageros ao discutir posições alheias, segundo a pesquisadora.

Experimento que reduziu a hostilidade

O experimento mostrou que apresentar números reais sobre as posições do outro grupo reduziu a hostilidade. Ao ver que a caricatura não batia com a realidade, parte dos entrevistados revisou a avaliação do adversário, especialmente em temas como aborto, desmatamento e cotas.

A correção perceptual não exigiu que os participantes mudassem de opinião sobre políticas, apenas que passassem a tolerar mais o outro lado para dialogar de forma mais serena.

Brasil como objeto de estudo

A pesquisadora aponta a singularidade do Brasil, com grupos que não se encaixam perfeitamente em uma dicotomia tradicional. Ela aponta que a percepção do adversário é alimentada por fatores culturais e pelo ambiente de mídia, além das redes sociais.

O estudo também observou que eventos como a Copa do Mundo não alteraram a rivalidade entre lulistas e bolsonaristas, ao contrário do esperado em alguns contextos internacionais.

O que houve em 2026 e conclusão prática

Os autores consideram que a tendência de polarização afetiva pode se repetir em eleições futuras, ainda que haja potencial de redução por meio de informação precisa. A pesquisadora enfatiza a importância de oferecer clareza sobre as opções disponíveis aos eleitores.

Entre os achados, destacou-se que a divulgação de números verificados sobre temas polêmicos pode aproximar as posições, sem exigir mudanças de crenças. A pesquisa reforça o papel da informação como ferramenta de convivência cívica.

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