- O PL revisa para baixo a meta de eleger bancada expressiva no Congresso, passando de 120 para cerca de 110 deputados.
- Crises recentes ajudam a justificar a revisão: Bolsonaro foi condenado e preso; deputados Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem tiveram cassação ou investigações.
- Em estados-chave, o PLN enfrenta dificuldade de montar palanques, com Minas Gerais sem candidato ao governo; em São Paulo, ex-puxadores deixaram o partido; Bahia, Pernambuco e Ceará apoiam siglas adversárias em vez de reforçar o bolsonarismo.
- Michelle Bolsonaro atua pouco na campanha, com agenda remota a partir de Brasília; o papel dela pode mudar se o STF reavaliar medidas contra Jair Bolsonaro.
- No Senado, o PL confirmou Domingos Sávio como candidato, enquanto André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa, figura entre as opções, mas registra apenas cerca de 5% de intenção de voto.
O PL ajusta suas expectativas para a expansão no Congresso diante de uma sequência de crises políticas. O partido, que detinha o maior caixa entre as siglas nacionais, revisa para baixo a meta de eleger a maior bancada desde 1994. A mudança ocorre em um cenário de incerteza institucional e turbulência interna.
A filiação de Jair Bolsonaro elevou o peso do PL, dando ao líder partidário Valdemar Costa Neto o controle de um orçamento anual próximo de 1 bilhão de reais. Nos últimos dias, porém, investigações, cassações e controvérsias colocaram pressão sobre o planejamento estratégico do partido.
Crise, quedas e ajustes de rota
No fim de 2025, Bolsonaro foi condenado e preso, sinalizando instabilidade para o núcleo bolsonarista. Em seguida, deputados próximos enfrentaram cassação, como Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, ampliando o holofote sobre o andamento das alianças.
No Rio de Janeiro, onde o PL tem forte sustentação, investigações da Polícia Federal retiraram Cláudio Castro da concorrência e fragilizaram a articulação do bolsonarismo no estado. A campanha presidencial sofreu abalos após a divulgação de contatos financeiros relatados envolvendo o ex-dono do Master.
Minas, São Paulo e o desafio de palanques nacionais
Em Minas Gerais, o PL não tem candidato ao governo com quatro meses para o pleito. Flávio Bolsonaro percorreu o estado, encontrou aliados locais, mas não consolidou uma chapa sólida. O senador Domingos Sávio disputa o Senado, sem fortaleza nas pesquisas.
No Brasil, o partido busca sustentação em estados-chave como Bahia, Pernambuco e Ceará, ao apoiar candidatos de outras siglas que ainda não se alinhavam plenamente ao projeto bolsonarista. Analistas destacam o impacto negativo da crise sobre o apelo entre eleitores moderados.
Situação em São Paulo e a participação de Michelle Bolsonaro
Em São Paulo, o PL perdeu seus três principais puxadores de votos: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles. As apostas, até o momento, recaem sobre Lucas Pavanato e Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, com histórico de vitórias limitadas.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participa da campanha de forma mais discreta, costumando atuar remotamente a partir de Brasília. A avaliação interna é de que a reavaliação de decisões judiciais pode redefinir seu papel no pleito, com possibilidade de mudança de posição.
Projeções e cenário provável
Valdemar Costa Neto admite recalibrar as metas. A previsão corrente é de eleger cerca de 110 deputados, número ainda abaixo da estimativa inicial de 120. A aposta é manter a maior bancada desde 1994, desde que o partido supere conflitos internos e investigações em curso.
A confirmação dependerá da capacidade de atravessar o momento turbulento, com fatos e desdobramentos ainda incertos. O panorama envolve questões judiciais, políticas regionais e a dinâmica de alianças para o combinado com grandes coligações no Congresso.
Publicado em VEJA, edição de 5 de junho de 2026.
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