- O Instituto Conhecer Brasil contratou um escritório que representou o deputado Mário Frias em quatro ações na Justiça ligadas ao programa Wi-Fi Livre SP.
- A Polícia Civil investiga possível confusão patrimonial entre o instituto, a produtora Go Up Entertainment e a empresa subcontratada, com indícios de desvio de recursos para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
- A prestação de contas da ONG aponta pagamentos ao escritório Aguilera Martinez no total de R$ 341,9 mil entre julho de 2024 e julho de 2025, sem detalhamento dos serviços prestados.
- Em 2024, Frias destinou emendas no valor de R$ 1 milhão para duas ações da ONG; parte dos recursos terminou repassada a um escritório de advocacia ligado ao parlamentar.
- A cartela de pagamentos inclui também repasses a uma empresa de contabilidade e serviços jurídicos, vinculados ao advogado que defende Frias em processos, levantando possíveis conflitos de interesse.
O Instituto Conhecer Brasil contratou um escritório que atuou em defesa do deputado federal Mário Frias (PL-SP) em quatro ações na Justiça. A atuação ocorreu no âmbito do programa WiFi Livre SP, mantido pela Prefeitura de São Paulo, e investiga-se a possibilidade de desvio de recursos públicos para custear atividades ligadas à produção do filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Civil de São Paulo abriu investigação e deflagrou operação com buscas e apreensões na manhã desta segunda-feira.
A prestação de contas da ONG indica pagamentos ao escritório Aguilera Martinez totalizando 341,9 mil reais, com o detalhamento ausente dos serviços prestados. O recurso foi disponibilizado pela ONG, sob a gestão de Karina da Gama, suspeita de ligação com a produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, cuja roteirista é a própria Frias. Delegados apontam possível confusão patrimonial entre o instituto e a produtora.
Ao longo do inquérito, investiga-se se parte dos recursos do programa municipal foi destinada à produção do filme ou para outras atividades da ONG e de suas parceiras. Em ofício encaminhado à 1ª Vara Regional da Garantia, o titular da 2.ª DICCA pediu ao Coaf avaliação de movimentações financeiras de Karina, do ICB e da Go Up Entertainment para verificar o fluxo de recursos. A prefeitura reagiu, classificando as acusações como ilação sem provas e afirmou que o convênio foi selecionado via chamamento público e cumpriu as exigências legais.
Contratações ligadas a Frias
Ainda segundo apuração, o escritório Aguilera Martinez representa Frias em quatro ações judiciais, sendo três na Justiça Eleitoral e uma na Justiça Estadual de São Paulo. Os processos eleitorais tramitam desde abril de 2023, com atuação do mesmo escritório desde novembro daquele ano. O processo estadual, iniciado em maio de 2023, transitou em julgado em junho de 2024, mês em que o convênio entre a ONG e a prefeitura foi firmado.
Emendas e outras contratações
Além das ações judiciais, o Diário mostra que Frias destinou duas emendas de 1 milhão de reais para projetos da ONG em 2024. Um dos repasses destinou-se a uma iniciativa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, relacionada ao programa Jovem Empreendedor, com pagamentos a empresas ligadas ao advogado Fabio Lago Meirelles por serviços contábeis e jurídicos.
Controvérsias administrativas
Relatórios apontam ainda a contratação de um dirigente da própria entidade pela ONG com recursos de emenda, visando atividades de divulgação do projeto Jovem Empreendedor, prática alinhada a questionamentos legais sobre conflito de interesses. A Polícia Civil investiga possíveis superfaturamentos e uso indevido de verbas públicas para fins não previstos no contrato.
Reações oficiais
A Prefeitura de São Paulo afirmou que colaborou com a investigação, destacando que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu princípios de legalidade, transparência e economicidade. A Prefeitura também rebateu afirmações de desvios sem fundamentação. As partes ligadas à ONG e ao advogado não responderam aos contatos da reportagem.
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