- O Instituto Conhecer Brasil (ICB) contratou um escritório de advocacia que também atua na defesa do deputado federal Mário Frias (PL-SP), segundo o Estadão.
- Documentos de contas mostram repasse de R$ 341,9 mil ao escritório Aguilera Martinez como “prestação de serviços jurídicos”, sem detalhar atividades.
- Em junho de 2024, a Prefeitura de São Paulo fechou com o ICB um contrato de R$ 108 milhões para instalar pontos gratuitos de acesso à internet; em dezembro de 2025 houve um aditivo de R$ 49,1 milhões, totalizando R$ 157,1 milhões.
- A Polícia Civil investiga irregularidades na execução do contrato e uso de recursos, com mandados de busca e apreensão realizados recentemente.
- Existem suspeitas de ligação financeira entre o ICB e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cuja autoria do roteiro é de Mário Frias, levantando possível confusão patrimonial e uso de recursos públicos.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à gestão de programas de conectividade, contratou um escritório de advocacia que também atua na defesa do deputado Mário Frias (PL-SP), segundo o Estadão. O vínculo envolve ações judiciais em que Frias figura como réu ou parte interessada.
Documentos de prestação de contas revelam repasse de R$ 341,9 mil ao escritório Aguilera Martinez, registrado apenas como prestação de serviços jurídicos, sem detalhar atividades ou causas atendidas. O montante integra fluxos do ICB ligados ao WiFi Livre SP.
Contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo
Em junho de 2024, o ICB fechou com a prefeitura um contrato de R$ 108 milhões para instalação de pontos de acesso gratuitos à internet em comunidades de baixa renda. O acordo foi assinado pela gestão Karina da Gama.
Em dezembro de 2025, o contrato ganhou aditivo de R$ 49,1 milhões para manter os equipamentos já instalados, elevando o total para R$ 157,1 milhões. O convênio previa 5 mil pontos, com cerca de 3.200 já implantados.
Polícia Civil investiga irregularidades
Na sequência, agentes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão para apurar possíveis irregularidades na execução do contrato e no uso de recursos públicos. As investigações avançam para entender desvios e superfaturamento.
Possível ligação com o filme Dark Horse
A apuração também analisa ligação financeira entre o ICB e a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com roteiro assinado por Mário Frias. Há suspeitas de confusão patrimonial entre as partes.
Delegado solicita análise ao Coaf
O delegado da DICCA encaminhou pedido ao Coaf para avaliar movimentações de Karina da Gama, do ICB e da Go Up Entertainment, diante de indícios de ocultação de origem de recursos e de uso de empresas subcontratadas.
Pagamentos e atuação jurídica de Frias
Entre julho de 2024 e julho de 2025, o ICB realizou 12 pagamentos ao Aguilera Martinez, iniciando com R$ 151 mil e seguidos por 11 parcelas de cerca de R$ 17,3 mil. A atuação envolveu quatro ações de Frias, três eleitorais.
Prefeitura nega irregularidades e defende o contrato
A Prefeitura de São Paulo afirma que não houve irregularidade e que o processo de contratação ocorreu por chamamento público, obedecendo as regras legais. A ligação entre ONG e parlamentar não configura falha administrativa, segundo a gestão.
Posição do Estadão, do ICB e de assessores não foi respondida até o fechamento desta edição.
Emendas parlamentares sob escrutínio
A investigação também mira em emendas de Frias para o ICB, como duas de R$ 1 milhão cada em 2024. Os recursos foram liberados pelo Ministério do Esporte e do Ciência e Tecnologia em 2025.
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