- O desembargador Ricardo Couto assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro no fim de abril, despachando no TJ e com agenda voltada a reuniões específicas no Palácio Guanabara.
- Ele afirma ter economizado pouco mais de R$ 2 bilhões com cortes de pessoal e aponta a meta de chegar a pelo menos seis mil exonerações de servidores não concursados.
- Couto informou ter bloqueado R$ 1,4 bilhão de um total de R$ 3 bilhões investidos pelo Rioprevidência no Banco Master, com expectativa de recuperar pelo menos 80% desse dinheiro.
- O governador em exercício diz que vai reduzir cargos comissionados e revisar contratos e secretarias, mas atua com cautela devido a decisões judiciais pendentes.
- Em meio aos ajustes, ele comenta remuneração de servidores, penduricalhos no Judiciário e a importância de gestão para apontar uma solução possível para as contas do estado.
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Desembargador Ricardo Couto, concedeu entrevista ao Estadão nesta semana. Ele detalha ações de gestão, números de exonerações e metas de economia desde que assumiu o governo no fim de abril. Couto despacha no TJ-RJ e participa de reuniões no Palácio Guanabara apenas quando necessário.
Ele afirma ter conseguido economizar mais de R$ 2 bilhões com cortes de pessoal e com a redução de contratos. O objetivo é chegar a 6 mil exonerações de servidores sem concurso, mantendo concurso como regra para novas contratações. A perspectiva é melhorar a eficiência orçamentária.
Entre as medidas, Couto disse ter mapeado e bloqueado R$ 1,4 bilhão de um total de R$ 3 bilhões investidos pelo Rioprevidência no Banco Master. A expectativa é recuperar pelo menos 80% do valor investido pelo fundo de aposentados e pensionistas.
Economia e cortes
O governador em exercício descreve a rotina marcada por horários adiantados e pela necessidade de manter a continuidade administrativa. Ele destaca a exoneração de cargos comissionados considerados desnecessários para reduzir custos.
Segundo Couto, a economia total já alcançou cerca de R$ 2,3 bilhões. Ele afirma que o Estado precisa manter controle rígido de gastos, especialmente em plena temporada eleitoral, para não comprometer serviços públicos.
Estrutura e gestão pública
O relato aponta redução gradual do número de secretarias, com plano de extinguir pastas que não tenham função essencial. O objetivo é reduzir a complexidade administrativa e melhorar a eficiência do gasto público.
Sobre remuneração, Couto defende reajustes para categorias essenciais e sustenta que a remuneração atual no Judiciário é mais compatível com a responsabilidade das funções. Ele cita o teto de remuneração como tema central da discussão.
Rioprevidência e Banco Master
A gestão busca resgatar recursos do Banco Master, com a tomada de ações para identificar os reais responsáveis por desvios. A Secretaria de Fazenda e o Judiciário trabalham com dados para orientar o retorno de valores aos cofres públicos.
A estratégia envolve cooperação com órgãos federais e mecanismos de recuperação de ativos, com foco em patrimônio individual e empresarial que possa responder pelos prejuízos.
Perspectivas políticas e institucionais
Couto afirma que não pauta intenções políticas para o futuro imediato e reforça que a função de magistrado impõe limites. Ele diz que o cenário fiscal exige decisões técnicas e jurídicas para evitar interferências políticas.
Ao falar sobre políticas públicas, o governador em exercício aponta a necessidade de continuidade de projetos já bem-sucedidos, independentemente de origem partidária, para alcançar resultados estáveis.
Educação, infraestrutura e justiça social
O interino cita penduricalhos e sua relação com a remuneração digna de servidores, defendendo alocação de recursos de forma responsável. O objetivo é manter investimentos em educação, saúde e segurança sob critérios de eficiência.
Couto aponta exemplos de iniciativas sociais, como projetos de ensino referência, e ressalta a importância de manter a qualidade do serviço público com planejamento orçamentário.
Relações com o governo federal
O governador planeja levar pautas como Polígono Industrial de Manguinhos e acordos tributários ao governo federal, buscando apoio para projetos de infraestrutura e a recuperação de créditos. O diálogo institucional é visto como essencial.
Ele comenta ainda sobre litígios fiscais envolvendo Petrobras e o Estado, mencionando a necessidade de ajustes que assegurem recebimentos ao Estado. A pauta envolve acordos políticos e econômicos.
Considerações finais
O discurso de Couto enfatiza a necessidade de gestão responsável para equilibrar contas públicas. Ele ressalta que o cenário financeiro do Estado exige ações técnicas, sem favorecer partidos, para manter o funcionamento do Estado.
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