- Os Estados Unidos ameaçaram aplicar tarifa de 25% a produtos brasileiros, numa disputa que envolve o Pix e seu papel no mercado de pagamentos.
- Lula afirmou que o Pix é tecnológico brasileiro e que a ferramenta pode impactar o mercado de cartões dos EUA.
- Flávio Bolsonaro disse que o Pix é brasileiro e do governo dele, reforçando a narrativa nacional na defesa da ferramenta.
- Especialistas destacam que o Pix é um projeto de Estado, desenvolvido ao longo de diferentes gestões, com paternidade institucional do Banco Central.
- Dados do Banco Central indicam que o Pix foi responsável por mais da metade das transações realizadas no segundo semestre de 2025, evidenciando seu alcance junto à população.
O presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro ampliaram a disputa sobre a autoria do Pix, em meio a uma tensão gerada pela possibilidade de sanções dos EUA contra o sistema de pagamentos. A elevação do tema ocorreu após a divulgação de uma proposta de tarifa de 25% pelo governo americano, alvo principal do Pix.
A pressão externa provocou reação do governo federal, que adotou o lema O Pix é do Brasil e ampliou o tom de soberania tecnológica em agendas públicas. Em Goiânia, na terça-feira, Lula destacou que a tecnologia nacional assusta os norte-americanos e pode impactar o mercado de cartões estrangeiros.
No dia seguinte, Flávio Bolsonaro rebateu a acusação de quem atribui o Pix exclusivamente ao governo atual, ressaltando a participação brasileira na ferramenta. A fala encerrou a linha de defesa de que a criação é resultado de esforços contínuos de diferentes gestões.
Especialistas consultados pelo portal apontam que o Pix funciona como um ativo de comunicação política, ainda que tenha sido desenvolvido ao longo de várias gestões. Eles destacam que o Banco Central é o responsável institucional pela criação e pela regulamentação.
Segundo Érico Oyama, da BMJ Consultores, o Pix nasceu sob o guarda-chuva do Banco Central, com participação de servidores públicos, e não tem um único pai político. Ele lembra a evolução desde 2016, passando por regulamentação, implementação e consolidação tecnológica.
Oyama enfatiza que a discussão sobre a paternidade do Pix tende a mobilizar o eleitor, dada a massiva utilização do sistema pela população. Dados do BC indicam que o Pix respondia por mais da metade das transações digitais no segundo semestre de 2025.
Para o publicitário Adriano Canutto, da Arko, a acessibilidade do Pix tornou o sistema um relevante ativo de engajamento público. Ele aponta que a digitalização das transações gratuitas aproximou a população, especialmente a de menor renda.
Guerra de narrativas
Especialistas consideram provável que, enquanto houver pressões externas, o embate entre Lula e Flávio Bolsonaro se intensifique. De um lado, o governo enfatiza soberania nacional; de outro, o pré-candidato do PL reforça a narrativa de inovação promovida pela gestão anterior.
Para Oyama, o debate se encaixa nos arquétipos políticos de cada um, com Lula defendendo autonomia contra interferência externa e Flávio Bolsonaro vinculando o Pix à desburocratização promovida sob o governo da família Bolsonaro.
Canutto avalia que o desempenho de cada discurso sobre o Pix pode ampliar a base de apoio de quem for visto como defensor do sistema. A percepção de defesa de uma tecnologia popular tende a favorecer o crescimento político do proponente.
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