- Peru vai às urnas em segundo turno entre Keiko Fujimori, filha do ex‑ditador Alberto Fujimori, e Roberto Sánchez, herdeiro de sindicalista próximo ao governo anterior.
- A votação ocorre neste domingo, em meio a uma crise institucional que persiste há anos no país.
- Pesquisa Ipsos aponta Keiko com 40,4% e Sánchez com 38,3%, dentro da margem de erro, com brancos e nulos somando 21,3%.
- Principais preocupações dos eleitores são criminalidade e corrupção; o desgaste institucional ajuda a explicar o número expressivo de indecisos.
- Keiko busca consolidar o legado de ordem associando Sánchez a referências de esquerda, enquanto Sánchez aposta em alianças e manutenção de políticas econômicas estáveis.
O Peru vai às urnas neste domingo para escolher entre Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e Roberto Sánchez, herdeiro do sindicalista que apoiou Pedro Castillo. A votação ocorre em um contexto de crise política e econômica no país.
Keiko busca o 4º turno presidencial em sua trajetória, enquanto Sánchez se apresenta como herdeiro de setores ligados aos símbolos do padrinho do atual cenário político. Ambos disputam o segundo turno que não teve maioria clara no primeiro pleito.
Segundo a última pesquisa do Ipsos, realizada nos dias 29 e 30 de maio, Keiko aparece com 40,4% e Sánchez com 38,3%, dentro da margem de erro de 2,8 pontos. Brancos e nulos somam 21,3% dos entrevistados.
A instabilidade política no Peru é destacada como fator relevante pela comunidade acadêmica. Um dos temas recorrentes é a fragilidade das instituições que formam o Congresso e a formação de partidos, com alta informalidade no mercado de trabalho.
Além de questões institucionais, a criminalidade é apontada por 46,8% dos eleitores como preocupação central, enquanto a corrupção é citada por 66,9%. A insegurança impacta o cotidiano e influencia o voto, especialmente entre quem busca estabilidade.
Keiko enfatiza um discurso de ordem, repetindo o lema “Volta Fujimori, volta a ordem”. Ela ressalta ações de pacificação e se autodefine como a continuidade de um modelo de segurança pública defendido por seu pai.
Sánchez tem feito alianças com outros partidos e apresentou um plano de governo a poucos dias da eleição. Mantém a autonomia do Banco Central e propõe reformas constitucionais conectadas a um Estado plurinacional, apesar de não confirmar apoio direto à continuidade de políticas do governo anterior.
Diversos cenários aparecem na disputa. As promessas de revisar ou revogar partes da Constituição de 1993 não foram totalmente definidas pelo candidato, que busca ampliar apoio entre setores que elogiam a gestão de Castillo, ainda que o ex-presidente esteja preso.
Entre os temas de campanha também estão a reputação de ambos os candidatos, com ataques cruzados sobre corrupção, financiamento de campanhas e ligações internacionais. A proximidade de Sánchez com aliados de Castillo é citada por adversários, enquanto Keiko é associada ao legado de seu pai.
Analistas ressaltam que a votação pode refletir não apenas propostas, mas a avaliação do eleitor sobre o funcionamento do sistema político peruano, marcado por turnos repetidos e desconfiança institucional. O resultado do pleito deve indicar a direção para os próximos anos.
O pleito ocorre em meio a protestos e debates sobre segurança, economia e reformas constitucionais. Conforme o escrutínio se aproxima, os candidatos ajustam mensagens para mobilizar eleitores indecisos e consolidar apoio de blocos específicos da base.
O resultado definitivo pode redefinir o equilíbrio entre Brasil e Perú em temas regionais, inclusive em relação à cooperação econômica e à segurança pública. A apuração está em curso, com expectativa de definir o vencedor nas próximas horas.
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