- Vitalino Canas, jurista português, participou do XIV Fórum de Lisboa e defendeu um modelo regulatório equilibrado para plataformas digitais e educação crítica sobre IA.
- O debate tratou da manipulação nas redes sociais e da necessidade de antídotos legais, com participação de autoridades, cidadãos e plataformas.
- Canas afirma que o direito reage lentamente às transformações, mas pode seguir um caminho que equilibre liberdade de expressão, iniciativa econômica e demais liberdades.
- Ele cita a cooperação Brasil–União Europeia como caminho possível para conter manipulação de conteúdos e ampliar uso positivo da IA e da tecnologia.
- A visão é de que as democracias sairão transformadas pela revolução tecnológica, com responsabilidade compartilhada entre governos e empresas de tecnologia para regulamentação e governança internacional.
Vitalino Canas, jurista português e presidente do Fórum de Integração Brasil Europa, participou do XIV Fórum de Lisboa sobre tecnologia e soberania para discutir o avanço da inteligência artificial, os riscos de manipulação nas redes sociais e a regulação das grandes plataformas. O debate ocorreu em Lisboa, durante três dias, com foco em direitos, democracias e regulação.
Canas defende um modelo de regulação equilibrado que concilie liberdade de expressão e iniciativa econômica com mecanismos de controle. Ele aponta a educação crítica como elemento central para lidar com a IA e destaca que o direito precisa acompanhar as transformações tecnológicas sem limitar a inovação.
Durante o encontro, o jurista analisou a manipulação de conteúdos nas redes sociais, afirmando que o diagnóstico das causas ainda não está definido. Ele enfatizou a necessidade de respostas que envolvam autoridades, cidadãos e plataformas, à medida que o tema é considerado central para a segurança informational.
Regulação e antídotos tecnológicos
Canas ressaltou a importância de antídotos jurídicos para a IA, defendendo que o direito deve estar na linha de frente. Segundo ele, existem modelos que atribuem maior ou menor peso ao Estado, mas ele prefere um equilíbrio entre regulação estatal e liberdade econômica, com proteção às liberdades.
O jurista mencionou ainda a crítica à autorrestrição no desenvolvimento da IA, citando a necessidade de manter o controle humano. Ele enfatizou que a competência crítica da população deve ser fortalecida desde a educação básica para evitar dependência tecnológica.
Perspectivas internacionais e Brasil
Sobre o marco legal da IA no Brasil, Canas disse que o país está no caminho certo ao buscar um modelo equilibrado. Esse modelo visa evitar manipulação de conteúdos e ao mesmo tempo permitir que a IA facilite a vida, aumente o conhecimento e incentive a participação cívica.
Quanto à cooperação internacional, ele aponta a viabilidade de acordos entre Brasil e União Europeia para avançar em medidas conjuntas. No entanto, reconhece que a governança global está em crise e que mudanças levam tempo.
Impacto nas democracias
Canas afirmou que as democracias devem sair transformadas pela revolução tecnológica, com formatos de funcionamento ainda não plenamente definidos. Ele indicou que o direito costuma reagir com atraso às inovações, mas a tendência é chegar a uma massa crítica de estudos que antecipe mudanças regulatórias.
O jurista concluiu que governos e grandes plataformas têm responsabilidade compartilhada para moldar o uso da IA. A construção de estruturas internacionais relevantes exige avanços graduais, com cooperação entre estados e setor tecnológico, para enfrentar os desafios da era digital.
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