- Olivia Laing discute a solidão como emoção política, ligada a estigmas e exclusão social, e não apenas a falhas individuais.
- A autora destaca que a solidão aumenta com fatores como pobreza, migração, doença, identidade de gênero e orientação sexual divergente, e que a culpa não é do indivíduo.
- Desde o lançamento de The Lonely City, a solidão ganhou espaço público e já é tema de saúde pública e políticas, com dados como 22% da população adulta na Inglaterra se sentindo sozinha ao menos às vezes.
- A internet e as redes sociais ampliaram a solidão e ajudaram a radicalizar discursos de ódio, facilitando a ascensão de grupos de extrema direita e narrativas de pertencimento fáceis de adotar.
- Soluções defendidas passam por fortalecer vínculos fracos em comunidades, melhorar infraestrutura e espaços públicos, e promover uma “solidariedade da diferença” para enfrentar a solidão sem buscar culpados ou estigmatizar pessoas.
A escritora Olivia Laing reflete sobre a evolução da solidão após a publicação de The Lonely City, em 2016, e analisa como esse sentimento aponta caminhos para entender a política atual. Em entrevista, ela descreve a solidão como um estado de desejo de mais conexão, distinto da solitude, e ressalta seus impactos na saúde física e mental.
Laing afirma que a solidão é alimentada por forças sociais de estigma e exclusão, que isolam grupos vulneráveis. Segundo ela, pobreza, imigração, doença, identidade de gênero e orientação sexual divergente contribuem para o isolamento, tornando a solidão um fenômeno político e, portanto, passível de enfrentamento público.
A autora comenta mudanças ao longo da última década, especialmente com a internet. Ela afirma que as redes virtuais, antes fonte de conforto, passaram a favorecer narrativas de ódio e extremismo. Em particular, grupos de direita utilizam a solidão como ferramenta de recrutamento, ampliando ressentimentos e criando bolhas de desinformação.
A solidão na era digital
A pesquisadora aponta que algoritmos e espaços online moldam realidades divergentes, dificultando a coesão cívica. A solidão, diz, não é apenas consequência da vida digital, mas também vulnerabilidade explorável que alimenta violência online e radicais. A relação entre isolamento e extremismo é destacada como um eixo central da discussão.
Laing cita exemplos que conectam a solidão a movimentos e influenciadores contemporâneos. Ela aponta que narrativas de grievance e pertencimento, promovidas por figuras públicas, tendem a piorar a distância entre grupos, ao invés de oferecer soluções contínuas de empatia e cuidado.
Caminhos de proteção social e escuta comunitária
A autora ressalta que soluções não passam apenas por relacionamentos românticos ou pela tecnologia de inteligência artificial. Segundo ela, a resposta está na construção de redes de apoio, com foco em ativos comunitários como transporte, espaços verdes e centros sociais. Tais espaços favorecem vínculos fracos que mantêm pessoas visíveis e conectadas.
Laing traz dados da saúde pública para fundamentar a visão. Pesquisas recentes indicam que a solidão está associada a áreas de maior carência econômica e a políticas de austeridade já adotadas. Ela aponta que a redução do estigma e o fortalecimento do tecido social são medidas essenciais para conter a erosão cívica.
Perspectivas para o futuro
A jornalista defende que a luta contra a solidão envolve responsabilidade coletiva e cuidado mútuo. Em suas palavras, a meta não é apenas encontrar um parceiro, humano ou artificial, mas criar solidariedade entre diferenças para reduzir o isolamento. A partir dessa abordagem, a combatência ao extremismo ganha um componente de políticas públicas inclusivas.
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