- Investigação sobre a organização Tren de Aragua no Chile, chamada de “Operação Tóquio”, aponta uso de contas em várias instituições para lavagem de dinheiro de US$ 85 milhões; 17 pessoas já foram formalmente acusadas.
- Funcionário do Santander Chile e outro suspeito do BancoEstado têm papel central na operação, que usava contas de diversas instituições, sem contar com um único banco envolvido.
- Promotores afirmam que o processo reforça o debate sobre o sigilo bancário, hoje entre os mais restritivos do mundo, sob pressão de criminosos organizados.
- A OCDE já recomenda ampliar o acesso a dados financeiros em investigações de corrupção e lavagem de dinheiro; no Chile, a lei de sigilo foi herdada da ditadura de Pinochet (1986).
- O governo e o Congresso discutem mudanças, com propostas para ampliar poderes da Unidade de Análise Financeira, enquanto a oposição pressiona pela urgência de atuação, em meio a impasse no Senado.
O governo chileno enfrenta pressão para revisar o sigilo bancário à luz de uma investigação sobre crime organizado ligada à Tren de Aragua. Em junho, prisões de funcionários de bancos reacenderam o debate sobre regras financeiras rígidas no país.
Promotores apontam que um funcionário do Santander Chile teve papel-chave numa rede de lavagem de dinheiro que moveu cerca de US$ 85 milhões, operando por meio de contas em vários bancos. Outro suspeito atuaria no BancoEstado. A operação envolve suspeitos vinculados à organização venezuelana.
A polícia destacou que a investigação não mira um banco específico, mas o sistema financeiro como um todo. A ação é chamada de Operação Tóquio, já resultando em 17 pessoas formalmente acusadas por lavagem de dinheiro e crimes correlatos.
Mudança de foco institucional
O Santander Chile afirmou colaborar com as autoridades e manter política de tolerância zero. O BancoEstado não respondeu de imediato. Segue inquérito sobre as transações entre instituições financeiras.
A discussão sobre o sigilo bancário voltou a ser tema de debate público, com críticas à legislação vigente, herdada da ditadura e entre as mais restritivas da OCDE. A OCDE recomenda ampliar o acesso a dados em investigações.
Agenda legislativa e posições
Um projeto de 2023, de autoria do ex-presidente Gabriel Boric, propunha abrir informações de forma mais ampla à Unidade de Análise Financeira, sem autorização judicial prévia em casos de crime organizado e lavagem. A tramitação está emperrada.
Senadores de oposição ressaltam a urgência de atualizar regras, citando casos recentes como justificativa. A votação sobre itens que permitiriam à UAF solicitar dados diretamente aos bancos enfrentou empates no Senado.
Perspectivas e próximos passos
O ministro das Finanças, Jorge Quiroz, afirmou que o governo prepara uma nova proposta, possivelmente como projeto novo ou emendas. Parlamentares destacam a necessidade de avançar para aprimorar mecanismos de combate a crimes financeiros.
A OCDE, em relatório de 2021, apontou complexidade excessiva para quebrar sigilo bancário chileno, impactando investigações de corrupção e lavagem. O tema continua no centro do debate entre privacidade e segurança.
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