- Pesquisa do Instituto Sivis, realizada em abril com 1.109 entrevistados, aponta que cinquenta e sete vírgula cinco por cento dos brasileiros acreditam ser proibido criticar publicamente o STF; em 2023, o índice era de trinta e cinco por cento.
- O professor da Fundação Getulio Vargas, Daniel Vargas, afirma que a estrutura do STF cria o efeito de as pessoas calibrar suas palavras e internalizar o temor, configurando a “cultura do medo”.
- A pesquisadora Sara Clem destaca que o fenômeno não decorre apenas de desconhecimento técnico, mas do acirramento da polarização política.
- O diretor do Sivis, Jamil Assis, diz que os dados são preocupantes e vão além de uma discussão partidária.
- Caso Henry Borel: a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique Medeiros; o júri havia condenado por homicídio culposo, e a defesa critica o uso de categorias sociológicas como “patriarcado” na fundamentação judicial.
No programa Última Análise desta segunda-feira, a Gazeta do Povo apresentou dados de uma pesquisa do Instituto Sivis sobre a percepção de crítica ao STF. Em abril, 1.109 pessoas foram entrevistadas e 57,5% disseram achar proibido criticar publicamente o STF.
A pesquisa aponta que o temor não é apenas técnico, mas emerge da polarização política. A partir disso, o estudo sugere um efeito de autocensura entre a população e uma internalização do medo.
A partir dos dados, especialistas apontam uma escalada no ajuste da fala pública. Aumento de percepção de risco em relação a discutir decisões do STF é destacado como indicativo de cultura de medo, segundo o diretor Jamil Assis e a pesquisadora Sara Clem.
Caso Henry Borel
Na quinta-feira, 04, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, acusada de participação na morte de Henry Borel, em 2021. O júri havia condenado Monique por homicídio culposo.
A magistrada afirmou que a mãe foi vítima de uma cultura patriarcal associada ao ideal da “mãe perfeita”. A defesa critica a fundamentação com o uso de categorias sociológicas, segundo a pauta da entrevista.
A advogada Fabiana Barroso sustenta que tais categorias podem distorcer a análise factual. O episódio é visto como exemplo de debates sobre linguagem jurídica ao interpretar o papel da mãe na proteção da criança.
O programa Última Análise, exibido ao vivo das 19h às 20h30, discute temas desafiadores para o país com abordagem racional e respeitosa.
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