- Edilson Ventureli, do Instituto Baccarelli, assume o Theatro Municipal de São Paulo com o compromisso de evitar óperas com viés político ou identitário.
- O novo cronograma manterá órgãos estáveis como Orquestra Sinfônica Municipal, Balé da Cidade e coros; Jorge Takla terá direção artística, Luíz Fernando Bongiovanni fica à frente do balé, Roberto Minczuk segue como regente titular e Fabio Meccheti passa a ser director musical.
- O contrato com o Instituto Baccarelli prevê orçamento de 663 milhões de reais ao longo de 60 meses; a gestão anterior, pela Sustenidos, enfrentou críticas e revelou déficits orçamentários.
- Questões envolvendo interferência política no passado foram usadas como argumento por parte de opositores, com debates sobre alterações de obras canônicas para diálogo com pautas progressistas. Ventureli afirma que o foco é cumprir o que o compositor escreveu, sem conteúdo ideológico.
- A programação deve incluir música popular e ampliar o repertório, mantendo a estreia principal de julho, mas sem a diretora Daniela Thomas; há receios de descaracterização do Balé da Cidade, cuja linha atual é de repertório contemporâneo.
O Theatro Municipal de São Paulo terá gestão concentrada no Instituto Baccarelli, com Edilson Ventureli à frente como diretor-executivo. A partir deste mês, o instituto assume o controle do equipamento, incluindo a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da Cidade e os coros. A prioridade declarada é evitar conteúdos de viés político ou identitário nas óperas montadas.
Jorge Takla fica responsável pela direção artística, Luiz Fernando Bongiovanni comanda o Balé e Roberto Minczuk permanece como regente titular, agora com Fabio Meccheti como diretor musical. A transição acontece após anos de gestão da Sustenidos, marcada por controvérsias sobre alterações em obras canônicas para dialogar com pautas progressistas.
Contexto e controvérsias anteriores
Entre 2021 e 2025, o Municipal enfrentou críticas sobre modificações em óperas que, segundo opositores, promoviam doutrinação ideológica. Em 2024, por exemplo, houve alterações em Don Giovanni com diálogos em português e críticas políticas não previstas no libreto, segundo relatos de imprensa. Outra montagem gerou debate entre quem defende fidelidade ao texto original e quem vê ajuste de conteúdo como necessário.
O novo gestor nega qualquer viés político nas produções. Ventureli afirma que o objetivo é cumprir a visão do compositor, sem significar alinhamento a correntes políticas. Ele também ressalta a importância de dialogar com públicos marginalizados, sem deslocar espaços para debates no palco.
Finanças, programação e contratação
O contrato com o Baccarelli prevê orçamento de cerca de R$ 663 milhões ao longo de 60 meses, com foco em garantir lisura e gestão responsável. Ventureli promete redução de gastos sem impactar a qualidade da programação, e afirma que não ocorrerão demissões entre os corpos artísticos.
A programação incluirá espetáculos de música popular, além de revisitar pontos da linha ou épocas anteriores deixadas pela gestão anterior. A principal estreia de 2026 está confirmada para julho, sem detalhar motivos da substituição da diretora Daniela Thomas na direção da montagem, que deverá ocorrer com produção externa.
Perspectivas para o Municipal
Especialistas e agentes culturais acompanham a transição com cautela, temendo que a gestão possa direcionar o espaço a determinadas linhas políticas. A equipe do Baccarelli enfatiza que a instituição não adota viés partidário, mantendo o aparato cultural aberto a diferentes expressões artísticas, desde o repertório contemporâneo ao clássico.
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