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Brasil adapta parque nacional para abrir espaço a ferrovia de grãos

STF valida redução de área protegida para Ferrogrão, mas projeto segue em licenciamento e pode intensificar pressões socioambientais na Amazônia

Under pressure from expanding soybean cultivation and transport infrastructure, protected areas in the Jamanxim region could become even more vulnerable. Image courtesy of Vinícius Mendonça/Ibama.
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  • STF manteve validade da lei de 2017 que reduziu 862 hectares do Parque Nacional de Jamanxim para a passagem da Ferrogrão, ainda sujeita a estudos ambientais e licenciamento.
  • Ferrogrão é uma linha de aproximadamente 933 quilômetros que ligaria Sinop, Mato Grosso, a Miritituba, Pará, para escoar soja e milho.
  • Governo celebra a decisão, vendo-a como passo importante; entidades ambientais e povos indígenas alertam sobre impactos socioambientais e incertezas regulatórias.
  • Advogada do Instituto Socioambiental aponta risco de alterar áreas protegidas por meio de processos acelerados, aumentando incertezas legais e pressão de interesses econômicos.
  • Estudo Amazônia 2030, de 2024, sustenta inviabilidade econômica e custos altos, estimando mais de 32 bilhões de reais para a Ferrogrão.

A Suprema Corte do Brasil manteve o impulso de um dos projetos mais controversos da Amazônia: a ferrovia Ferrogrão, que ligaria Sinop, em Mato Grosso, ao porto de Miritituba, no Pará. A decisão sustenta a possibilidade de reduzir a área protegida para a passagem da linha, ainda sujeita a estudos ambientais e licenciamento. O objetivo é atender à logística de grãos.

O STF validou, em maio, uma lei que diminuiu em 862 hectares a Jurissão do Parque Nacional de Jamanxim, em Pará, para abrir passagem à ferrovia. A chancela ocorreu apesar de questionamentos sobre a necessidade de lei formal para reduzir áreas protegidas.

A defesa do projeto sustenta que a lei facilita o avanço das etapas de estudo ambiental e licenciamento, essenciais para a viabilização. O Ministério dos Transportes descreveu a decisão como um passo importante para estruturar Ferrogrão, mantendo o cumprimento de requisitos legais.

Entidades ambientais e povos indígenas veem a decisão como retrocesso. Afirmam que áreas protegidas podem ser reavaliadas para atender interesses econômicos, aumentando a incerteza jurídica e os riscos socioambientais na região.

Jamanxim foi criado em 2006 para evitar grilagem e desmatamento ligado à BR-163. O debate técnico aponta que a mudança de tamanho de área protegida pode abrir precedentes para outros casos, com impactos sobre espécies e ecossistemas locais.

A Ferrogrão foi criada para ligar a região central-oeste produtora de soja e milho ao corredor de exportação no Tapajós. O projeto tem 933 quilômetros, com promessas de reduzir custos logísticos, mas enfrenta dúvidas sobre viabilidade econômica, impacto ambiental e consulta a comunidades tradicionais.

Pouco antes da decisão do STF, a Câmara dos Deputados aprovou a redução da área da Floresta Nacional de Jamanxim, facilitando atividades como mineração. O texto ainda depende de aprovação no Senado e sanção presidencial, mantendo o cenário de incertezas legais e ambientais.

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