- Pesquisa do Instituto Informa aponta que 15% dos brasileiros votam por ideologia, enquanto 55% escolhem propostas, independentemente de preceitos ideológicos.
- A discussão distingue Bolsonarismo e Lula: o primeiro é um movimento centrado em um líder; o segundo envolve apoio a uma figura de origem popular, sem seguir uma ideologia de esquerda clássica.
- Cinco efeitos da ausência de ideologia: instabilidade de longo prazo, preenchimento por fisiologismo (centrão), vulnerabilidade ao populismo, dificuldade em realizar reformas impopulares e empobrecimento do debate público.
- O Brasil ficaria preso ao curto prazo, com 85% dos eleitores decidindo por emoção, carisma ou fidelidade tribal, o que dificulta planejamento de longo prazo.
- Coluna de Aluizio Falcão Filho, jornalista e publisher do Money Report, é a origem do texto.
A pesquisa do Instituto Informa aponta que apenas 15% dos brasileiros escolhem em quem votar com base em critérios ideológicos. Por outro lado, cerca de 55% afirmam selecionar candidatos principalmente por propostas, independentemente de preceitos ideológicos. O levantamento sugere que, mesmo em um cenário polarizado, a presença de uma ideologia forte não é garantia de consenso entre eleitores.
O estudo destaca que rejeições a determinadas ideias político-econômicas não definem, por si, o perfil ideológico do eleitor. A tendência é de que o eleitor saiba o que não quer, mas tenha dúvidas sobre o que deseja para o país. A pesquisa oferece uma visão sobre a relação entre discurso público, propostas e escolhas de voto.
Ideologias e lideranças
O termo ideologia descreve um conjunto estruturado de ideias, valores e princípios que orienta uma visão de mundo. Liberalismo, socialismo, conservadorismo e libertarianismo são exemplos de ideologias com coerência interna, independentemente de quem governa.
Bolsonarismo e lulismo, porém, dependem de lideranças políticas. O Bolsonarismo tende a girar em torno de Jair Bolsonaro, com adesão menos a uma doutrina e mais a um líder. Já o lulismo é marcado pela relação entre uma massa de eleitores, especialmente pobres, e Luiz Inácio Lula da Silva, com foco em políticas de inclusão social.
Impactos na política brasileira
A ausência de uma ideologia consolidada favorece a instabilidade de longo prazo, pois projetos de governo não se estruturam de forma contínua. Sem projeto ideológico, cada gestão pode recuar ou improvisar soluções sem uma estratégia de longo prazo.
Causa, ainda, o fortalecimento do fisiologismo, com Centrão e cobrança por cargos e verbas. A falta de referências ideológicas também aumenta a vulnerabilidade ao populismo e dificulta reformas impopulares, que exigiriam sacrifícios de curto prazo.
O debate público tende a se empobrecer, com menos disputa de ideias e mais guerra de narrativas. Em vez de discutir organização social, o tema vira confronto entre identidades e tribos.
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