- Grupos de tendência conservadora buscam influenciar decisões judiciais em casos de mudanças climáticas, alegando que a jurisprudência é politizada.
- A Environmental Law Institute (ELI) organiza o Climate Judiciary Project, com seminários para advogados e juízes sobre ciência climática e o papel do tema no direito.
- O Departamento de Energia dos EUA e Chris Wright, ex-diretor de uma empresa de fraturamento, participaram de eventos envolvendo juízes, o que reacende críticas sobre vínculos entre setor fóssil e educação judicial.
- A Câmara dos Representantes, sob comando republicano, abriu investigação e pediu documentos sobre supostos vínculos entre a ELI e grupos de interesse, incluindo empresas processadas em ações climáticas.
A campanha de direita para influenciar a forma como tribunais dos EUA veem a crise climática ganha fôlego com a difusão de educação judicial voltada a juízes e advogados. Grupos apoiados por setores fósseis dizem buscar apenas fundamentação científica, mas críticos apontam risco de politização de decisões judiciais em casos contra grandes companhias de petróleo.
Relatórios apontam que a Environmental Law Institute (ELI), ligada a tribunais e a educação jurídica sobre clima, vem sendo alvo de investigações no Congresso. A Comissão Judiciária da Câmara, controlada pela oposição, questiona ligações com grupos de litígio ambiental e com a indústria.
Em evidência, palestras com participação de Chris Wright, atual secretário de Energia dos EUA e ex-executivo de fraturamento, teriam ocorrido em seminários privados voltados a juízes. Wright participou de encontros do Law and Economics Center (LEC), sediado na George Mason University, segundo agendas públicas.
A investigação mira a rede de organizações que promovem a educação judicial sobre clima. Entre os alvos estão a Sher Edling, escritório que representa estados em ações contra grandes petrolíferas, e a ligação entre a ELI e empresas como BP, Chevron e Koch Industries, todas demandadas em processos de responsabilidade climática.
Relatórios indicam que o objetivo dessa rede é moldar a percepção dos juízes sobre a cientificidade da crise climática, criando ambiente de que o tema é político. Pesquisadores sustentam que esse viés pode influenciar decisões contra empresas do setor.
Dados da própria ELI descrevem o projeto Climate Judiciary como um esforço de educação baseada em evidências sobre ciência climática e seu papel no direito. Críticos argumentam que a presença de executivos da indústria em seminários pode trazer conflitos de interesse.
Além de Wright, outras personalidades associadas a defender posições industriais têm participado de programas do LEC. A rede envolve fundações e figuras ligadas a grandes empresas, cujos interesses estão em litígios sobre danos ligados ao aquecimento global.
Os organizadores defendem que os seminários não visam cooptação, mas aprimorar a compreensão dos temas pelos juízes. O LEC afirma que a lista de presentes é pública, ainda que a natureza exata de cada sessão não esteja disponível.
A Câmara dos EUA já solicitou documentos sobre as ligações entre ELI, Sher Edling e outras entidades na tentativa de entender a extensão da influência. O confronto entre partisanismo e independência judicial permanece em aberto, com acusações de que o processo pode transformar casos de clima em disputas políticas.
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