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Tereza Cristina, cotada para vice de Flávio, integra instituto de empresas

Senadora Tereza Cristina lidera instituto financiado por oito empresas, levantando dúvidas sobre conflito de interesses e transparência de recursos

A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina
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  • Senadora Tereza Cristina, cotada para vice de Flávio Bolsonaro, comanda o Instituto Diálogos, patrocinado por oito empresas dos setores do agronegócio, financeiro, combustíveis e infraestrutura, sem divulgação dos valores.
  • O instituto diz ter regras para evitar conflitos de interesse; Tereza Cristina é presidente do conselho de administração, função não remunerada, e as empresas fundadoras aprovam novas adesões por dois terços.
  • Entre as fundadoras estão Tereos Açúcar e Energia, Cargill, Yara Fertilizantes, Corteva Agriscience, Cocamare, FS Indústria de Biocombustíveis, Itaú Unibanco e Hidrovias do Brasil; o valor mensal de contribuição não foi informado.
  • O estatuto permite ampliar receitas por meio de doações ou contratações para estudos e pesquisas, com todo o dinheiro reinvestido no instituto, que não tem fins lucrativos.
  • A senadora afirmou à Folha que o instituto atua de forma independente de interesses privados e que não haverá lobby; ela diz que quer o apoio para presidir o Senado em 2027, caso haja vitória da oposição.

A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) está à frente de um instituto patrocinado por oito empresas dos setores do agronegócio, financeiro, combustíveis e infraestrutura. A informação levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse com pautas de interesse público.

O Instituto Diálogos tem como objetivo influenciar políticas públicas voltadas ao livre mercado, propriedade privada e desenvolvimento socioeconômico. O estatuto prevê estudos, pesquisas, palestras e eventos, com a presidência do conselho de administração sem remuneração.

Tereza Cristina afirma que o instituto funciona com regras internas para evitar conflitos de interesse. Ela reconhece ter idealizado a entidade e, em tom público, disse não atuar como lobby, citando a Frente Parlamentar da Agroindústria como canal de atuação.

Estrutura e patrocinadores

O núcleo fundador é formado por oito empresas, entre elas Tereos Açúcar e Energia, Cargill, Yara Fertilizantes, Corteva Agriscience, Cocamare e FS Indústria de Biocombustíveis. Itaú Unibanco e Hidrovias do Brasil também integram o grupo.

O estatuto atribui ao conjunto de fundadores o poder de aprovar adesões a novos membros por dois terços. A instituição não divulga valores da contribuição mensal nem balanços financeiros, embora documentos indiquem salários de pelo menos um diretor de R$ 50 mil.

A Folha solicitou informações a empresas, à senadora e ao instituto, mas todos não divulgaram os montantes. O portal de transparência do instituto não apresenta balanços financeiros.

Controvérsias e agenda

Especialistas apontam riscos éticos e destacam a necessidade de transparência para evitar conflitos com o mandato parlamentar. A legislação não proíbe parlamentares de exercer função de liderança em conselhos, salvo se houver benefício público direto.

O lançamento ocorreu em fevereiro, em Brasília, em espaço de hotel alugado. O instituto realizou apenas um seminário até o momento, voltado a discussões sobre geoeconomia mundial.

Tereza Cristina afirmou, em nota à Folha, que planejava a criação do instituto há cerca de três anos e que as salvaguardas contra conflitos de interesse são previstas no estatuto. Ela acrescentou que o trabalho é voluntário e que não há vínculo direto com agenda legislativa.

A senadora também esclareceu que não pretende ocupar a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência, e que sua meta é presidir o Senado em 2027 caso haja vitória da oposição.

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