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Associação leva ao STF ação contra mineração em terras indígenas

Apib atua como amicus curiae no STF contra regulamentação da mineração em terras indígenas, defendendo a remoção do garimpo ilegal no território Cinta Larga

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  • A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) vai ao Supremo Tribunal Federal como amicus curiae para contestar a regulamentação da mineração em terras indígenas no caso dos Cinta Larga, em Rondônia e Mato Grosso.
  • O ministro Flávio Dino determinou prazo de 24 meses ao Congresso para aprovar uma lei sobre os artigos 176 e 231 da Constituição; também exigiu que a União apresente, em até 30 dias, um plano para retirar atividades de garimpo ilegal do território, com execução em até sessenta dias após a aprovação.
  • A Apib sustenta que não houve pedido de regulamentação pelos 391 povos indígenas do país e afirma que o mandado de injunção foi apresentado por uma associação específica do povo Cinta Larga, sem consulta aos demais povos.
  • A região dos Cinta Larga, composta pelas terras Roosevelt, Aripuanã, Parque Aripuanã e Serra Morena, enfrenta invasões de garimpeiros e exploração ilegal, com envolvimento de redes criminosas e impacto ambiental.
  • O caso faz parte de um histórico de violência ligada ao garimpo de diamantes, incluindo o Massacre de Roosevelt em 2004, que resultou na morte de 29 garimpeiros; em 2025, a Justiça Federal decidiu que não havia provas suficientes contra indígenas Cinta Larga para julgá-los. Atualmente, o território registra queda populacional e tensões contínuas.

A Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, vai sustentar oralmente no STF contra a regulamentação da mineração em terras indígenas. A defesa ocorre no Mandado de Injunction 7.516, relacionado à exploração de diamantes na Terra Indígena Cinta Larga, em Rondônia e Mato Grosso, no retorno da sessão prevista para 17 de junho de 2026.

A defesa ocorre como amicus curiae, ou seja, amiga da Corte, no processo que discute a exploração de diamantes na área. O STF não decidiu sobre o mérito, mas analisa a omissão legislativa sobre artigos da Constituição que tratam do tema.

O ministro Flávio Dino relatou o caso e fixou prazo de 24 meses para o Congresso promulgar uma lei sobre o assunto, após decisão liminar. A medida busca preencher lacunas legais apontadas pelo tribunal.

Em manifestação, a Apib afirma que não houve pedido formal de regulamentação pelos 391 povos indígenas do Brasil. Segundo a entidade, o mandado foi apresentado por uma associação do povo Cinta Larga sem ampla consulta.

O documento de Dino, de 1º de junho, determina que a União apresente, em 30 dias, um plano para retirar atividades de garimpo ilegal no território. O plano deve prever execução em até 60 dias após a aprovação, com articulação de órgãos federais e estaduais.

Contexto do território

A região Cinta Larga reúne quatro terras entre Rondônia e Mato Grosso: Roosevelt, Aripuanã, Parque Aripuanã e Serra Morena. O território sofre invasões de garimpeiros e exploração ilegal de recursos há décadas.

A Apib destaca que a presença de reservas de diamantes alterou a dinâmica local, com avanço de garimpeiros, mineradoras e conflitos entre comunidades. A entidade aponta impactos diretos sobre os povos indígenas.

A decisão de 2024-2025 do Judiciário envolve também o âmbito criminal. O relatório do CNJ cita operações contra grupos que atuam na exploração ilegal de pedras preciosas na Terra Indígena Parque do Aripuanã.

O Massacre de Roosevelt, ocorrido em 2004, é citado no histórico da disputa. Vinte e nove garimpeiros morreram e a investigação envolveu indígenas da Cinta Larga, gerando tensões na região.

Em 2025, a Justiça Federal de Vilhena concluiu que não havia provas suficientes para levar 22 dos 23 indígenas acusados ao Tribunal do Júri. Um único acusado permaneceu em andamento, elevando o clima de violência.

A atividade garimpeira impacta a saúde e a demografia local. Dados do IBGE indicam queda populacional entre os Cinta Larga, de cerca de 2.000 habitantes nos anos 1960 para 958, conforme o Censo de 2022.

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