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Cartas de The King revelam caso de propina de R$ 1 bilhão em apuração

Cartas de Artur Gomes da Silva Neto sugerem estratégia para obstruir a Justiça e anular investigações sobre propina, levando a nova prisão

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  • Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal da Fazenda, é apontado pela Promotoria como líder de um esquema de propinas de 1 bilhão de reais na Receita estadual de São Paulo.
  • Cartas escritas por Artur foram apreendidas na casa dele em Ribeirão Pires e indicam uma estratégia para obstruir a Justiça, envolvendo colegas de Fisco e uma contadora do esquema.
  • Uma das mensagens orienta um colega a não firmar acordo de colaboração com o Ministério Público, afirmando: “Não faça nenhum tipo de acordo com o MP. Não confie no MP.”
  • Outra carta, endereçada a Nina, contadora do esquema, traz a promessa de “anular tudo” nas três operações e orientar a defesa de coacusados.
  • Artur foi novamente preso após a apreensão das cartas; o MP aponta indícios de novas atividades criminosas, incluindo obstrução de instrução e ocultação de ativos, inclusive criptoativos.

Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal da Fazenda paulista, é apontado pela Promotoria como líder de um esquema de propina de cerca de 1 bilhão de reais na Receita estadual. Nesta quarta-feira, a Polícia Militar e o Ministério Público de São Paulo localizaram em sua residência, em Ribeirão Pires, três cartas escritas por ele mesmo. As mensagens indicam uma estratégia para obstruir a Justiça, segundo investigadores.

As cartas foram encontradas pela força-tarefa ao cumprir mandados na casa do investigado. Artur se recusou a atender à equipe e foi encaminhado à carceragem da Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires, antes de ser levado à Cadeia Pública de Santo André. O ex-fiscal já havia sido preso anteriormente, em agosto do ano passado, e, ao ser liberado no fim de maio, recebeu medidas cautelares que o impediam de manter contato com outros investigados.

Entre os documentos apreendidos, destaca-se uma correspondência endereçada a um colega da Receita, com orientações para evitar acordos de colaboração com o Ministério Público. O texto sugere não firmar delação e afirma que a Promotoria é competente, ao mesmo tempo em que orienta a não confiar no MP. A carta foi, segundo os investigadores, entregue por intermédio do advogado do destinatário.

Outra carta, dirigida a Rafael Merighi Valenciano, agente fiscal preso na Operação Mágico de Oz, traz o apelido do ex-fiscal, The King. O documento foi escrito em papel timbrado de um escritório de advocacia e indica que Artur atua para orientar a defesa de Rafael, conforme apurado pela Promotoria. O material também sustenta que o contato não era trivial e poderia influenciar a instrução criminal.

Além disso, os promotores destacam uma mensagem dirigida a Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, conhecida como Nina, apontada como contadora do esquema. A carta, datada de 2 de junho, poucos dias após a liberação de Artur, apresenta um plano de obstrução da Justiça e menciona a possibilidade de anulação de investigações e de autos de infração. Nina é suspeita de coordenar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao ex-fiscal e aos demais investigados.

Segundo a Promotoria, as cartas revelam que Artur buscava orientar defesas de coacusados, manter contatos proibidos e financiar peças da estratégia jurídica, inclusive com a indicação de um advogado para Nina. Os investigadores afirmam que a conduta configura violação direta de medidas cautelares e tenta influenciar o rumo das apurações em curso. O Ministério Público mantém a avaliação de que as comunicações indicam obstrução da justiça e ocultação de ativos.

A defesa de Artur não respondeu aos pedidos de manifestação da reportagem até o fechamento deste texto. O espaço permanece aberto para futuras declarações. A prefeitura de Ribeirão Pires não foi apresentada nesta pauta. A unidade investigativa do Ministério Público, o Gedec, atua no combate a delitos econômicos e corrupção na esfera estadual.

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