- O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou resistência em votar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado.
- Davi Alcolumbre ligou para Motta antes da votação para saber se a Câmara colocaria a matéria em votação, que é vista como pauta-bomba pelo impacto fiscal estimado em R$ 140 bilhões em dez anos.
- Motta disse não conhecer plenamente o texto e lembrou que a Câmara votou apenas um projeto parecido em 2025, que beneficiava agricultores atingidos pelas enchentes no Rio grande do Sul.
- Naquele episódio, uma emenda para estender o benefício ao Nordeste foi apresentada, mas Motta a vetou por causa do efeito fiscal.
- O governo tem buscado Motta para tentar impedir a votação; o ministro José Guimarães ligou no dia seguinte pedindo para não votar, citando insatisfação de Lula e pressão da bancada ruralista.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou resistência a votar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado na quarta-feira, 10 de junho. A ideia é evitar que a matéria seja encaminhada à votação sem antes avaliar impactos fiscais.
Segundo apurado pela coluna, Davi Alcolumbre ligou para Motta antes da votação para perguntar se haveria vote remoto ou presencial. O tema é visto como uma “pauta-bomba” por estimativas de impacto fiscal de cerca de 140 bilhões de reais em 10 anos.
Motta disse a Alcolumbre que não conhecia plenamente o texto. Lembrou ainda que, na Câmara, apenas um projeto semelhante foi votado em 2025, beneficiando agricultores afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Governo e bancada ruralista
O governo tem desde então demonstrado preocupação com a possibilidade de aprovação da pauta. Além de Alcolumbre, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ligou para Motta na manhã de 11 de junho, pedindo que o projeto não seja votado.
Guimarães relatou que o presidente Lula ficou incomodado com a aprovação no Senado e com a participação de senadores da base aliada na articulação. Motta informou sentir pressão da bancada ruralista, que valoriza a aprovação da proposta.
Apesar das mensagens, Motta reforçou que não pretende agir de forma irresponsável e que a Câmara não votará sem avaliação adequada. A decisão sobre a tramitação depende de novas deliberações internas da Casa.
Entre na conversa da comunidade