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Sociólogo alemão afirma que religião pode fortalecer a democracia

Sociólogo alemão sustenta que práticas religiosas fortalecem a democracia ao estimular escuta e diálogo, mesmo diante crises de confiança em instituições religiosas

Juliana de Albuquerque
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  • O sociólogo alemão Hartmut Rosa defende que a religião pode renovar práticas de escuta e diálogo na política, fortalecendo a democracia.
  • Em livro de 2022 ainda sem tradução para o português, Rosa afirma que as democracias podem encontrar na religião recursos para ampliar o aperfeiçoamento de participação plural.
  • Ele aponta que a modernidade baseada na aceleração compromete o ideal de sociedade plural, pois tende a manter relações agressivas com o mundo.
  • O autor usa o conceito de ressonância para descrever a postura de se deixar tocar pelo que escapa ao nosso controle, favorecendo diálogo.
  • O texto traz relatos sobre a prática do Shabat como exemplo de como a religião pode favorecer pausa, convivência e escuta; cita que outras tradições podem cumprir função semelhante, sugerindo figuras históricas pró-democracia como Heschel e King.

Em um livro de 2022 ainda sem tradução para o português, o sociólogo alemão Hartmut Rosa sustenta que a religião pode fortalecer a democracia ao renovar práticas de escuta e diálogo na política. A obra, publicada pela Max-Weber-Kolleg, aponta caminhos para além de interpretações que associam fé apenas a identitarismos.

Rosa reconhece que, nos últimos anos, referências religiosas têm moldado debates públicos de forma ambígua, ampliando tensões e justificando posturas reativas. Mesmo diante de denúncias de esquemas financeiros e de abusos, o sociólogo afirma que a religião pode oferecer recursos para relações com o mundo menos dominadas pela lógica de controle.

Para o autor, a modernidade funciona sob aceleração constante, o que compromete promessas como pluralidade e convivência com posições distintas. O modelo de estabilização dinâmica depende de crescimento contínuo e inovação, mas nem sempre isso se traduz em melhorias reais na vida das pessoas.

A partir dessa leitura, Rosa propõe o conceito de ressonância: a capacidade de ser tocado por algo que ultrapassa o controle humano e transforma quem recebe o impacto. Em contraste, a relação agressiva com a natureza e com o mundo tende a obscurecer a democracia, que exige abertura ao diálogo.

Implicações para a prática democrática

A ideia é que práticas religiosas, em diferentes tradições, possam desenvolver a habilidade de ouvir e dialogar entre diferenças. O conceito de ressonância sugere que a experiência religiosa pode favorecer uma postura menos agressiva e mais reflexiva diante da política.

Perspectivas e exemplos

O autor contextualiza que a vivência democrática depende da pluralidade de vozes e da capacidade de escuta. Em relatos de leitores, há quem cite rituais como o Shabat como exemplo de como práticas religiosas ajudam a desacelerar, favorecer encontros familiares e estimular conversas aprofundadas.

Avaliação dentro do debate público

Especialistas destacam que a proposta de Rosa é controversa, pois a relação entre religião e democracia é complexa e depende de como as práticas são mobilizadas socialmente. A obra de Rosa permanece como contribuição para repensar papel da fé na política sem assumir posições definitivas.

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