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Lula discute dívida histórica com quilombolas e anuncia novos territórios

Lula entrega títulos a oito territórios quilombolas (11,5 mil hectares) e assina desapropriações com R$ 232 milhões, citando que dívida histórica não tem dinheiro que pague

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, no Espaço Divino Paraíso, em Gama. Foto: Ricardo Stuckert / PR
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  • Lula entregou títulos de oito territórios quilombolas, totalizando 11,5 mil hectares em seis estados e beneficiando 1.780 famílias.
  • O governo assinou quatro decretos de desapropriação de terras, com indenizações de R$ 232 milhões para as áreas ocupadas.
  • O anúncio ocorreu no 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, no Gama, Distrito Federal; o presidente disse que não há dinheiro que pague a dívida histórica com descendentes de africanos.
  • Segundo levantamento do governo, desde 2023 foram emitidos 74 títulos, representando um terço dos pedidos oficiais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
  • Também foram anunciados créditos para desenvolvimento e construção de moradias no território Kalunga, entre o norte de Goiás e o sul do Tocantins.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou oito títulos de territórios quilombolas, totalizando 11,5 mil hectares em seis estados, beneficiando 1.780 famílias. Além disso, o governo assinou quatro decretos de desapropriação de terras, com indenizações que somam R$ 232 milhões.

O anúncio ocorreu durante o 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da Conaq, realizado no Gama, no Distrito Federal. O presidente destacou que os recursos não devem impedir a titulação de terras quilombolas e que a dívida histórica do Brasil com os descendentes de africanos é, segundo ele, impagável.

Lula afirmou que a abolição não proporcionou melhoria para todos e que muitos ficaram sem emprego e educação. Segundo ele, recuperar a história da igualdade exige ações além de leis isoladas, e o país não foi moldado para atender os mais vulneráveis.

Durante o discurso, o presidente lembrou que o Brasil tratou o povo negro e o trabalhador como se não existisse, o que, na visão dele, persiste como desafio estrutural. Ele pediu solidariedade internacional para enfrentar o preconceito.

Levantamento do governo aponta que, desde 2023, foram emitidos 74 títulos de territórios quilombolas, representando cerca de um terço do total de pedidos formalizados pelo Incra. A medida reforça a política de regularização fundiária.

No mesmo evento, foi anunciada a implementação de créditos destinados a desenvolver o território Kalunga, um dos maiores conjuntos quilombolas do país, localizado entre o norte de Goiás e o sul do Tocantins. O programa prevê moradias e incentivos ao desenvolvimento local.

Contexto institucional

A entrega de títulos e a desapropriação de áreas integram ações do governo voltadas à regularização fundiária e ao fortalecimento de comunidades quilombolas. A agenda ocorre em meio a debates sobre reparação histórica e políticas de desenvolvimento regional.

Impacto local

Especialistas destacam que a titulação amplia a segurança jurídica das famílias e facilita acesso a programas públicos. Críticos questionam a velocidade dos processos, mas reconhecem avanço na garantia de direitos.

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