- Lançamento do Panorama da Violência Contra as Mulheres no Distrito Federal, estudo do IPEDF em parceria com a Secretaria da Mulher, para entender formas de violência e motivações de feminicídio no DF.
- O levantamento ouviu 5.093 pessoas no DF; 1.541 mulheres responderam a um questionário sobre violência e 39 homens condenados por feminicídio participaram de entrevistas no sistema prisional.
- 44,8% das mulheres reconheceram violência direta; esse índice sobe para 77,6% quando considerados mecanismos indiretos criados pelos pesquisadores para identificar casos.
- Foram identificadas 28 tipificações de violência, compatíveis com a Lei Maria da Penha; violência moral foi relatada por 62,1% das mulheres, e 21,5% sofreram violência nos últimos 12 meses.
- A dependência financeira foi apontada como principal fator para permanência em relacionamentos abusivos; há pouca percepção sobre violência patrimonial; governadora anunciou decreto institucionalizando a pesquisa, que passará a ocorrer a cada dois anos.
O Panorama da Violência Contra as Mulheres no DF foi lançado na manhã de sexta-feira (12/6) pelo IPEDF, em parceria com a Secretaria da Mulher. O objetivo é entender por que homens ainda matam mulheres no Distrito Federal e mapear fatores que permeiam a violência de gênero.
A pesquisa ouviu 5.093 pessoas em diferentes regiões do DF. Dessas, 1.541 são mulheres que responderam a um questionário detalhado sobre experiências de violência, enquanto 39 homens condenados por feminicídio participaram de entrevistas dentro do sistema prisional.
A governadora Celina Leão afirmou que o estudo busca dados oficiais para orientar políticas públicas. Ela ressaltou a importância de institucionalizar a pesquisa, que passará a ocorrer a cada dois anos na capital.
Resultados
Entre as entrevistadas, 44,8% afirmaram ter sido vítimas direta de violência. Ao considerar mecanismos indiretos, o total chega a 77,6%. O IPEDF destaca a ampliação de identificação de casos, já que nem sempre a violência é reconhecida pela vítima ou pelo agressor.
O estudo aponta 28 tipificações de violência, todas compatíveis com a Lei Maria da Penha. A violência moral é a mais relatada, por 62,1% das mulheres, seguida pela psicológica. Ainda houve registro de violência nos últimos 12 meses em 21,5% das entrevistadas.
Outra constatação é a continuidade de relacionamentos abusivos. Entre quem sofreu violência recentemente, 15,4% permaneciam casados, namorando ou convivendo com o agressor. A dependência financeira foi citada como principal fator para manter essas relações.
Os pesquisadores destacam desconhecimento sobre formas de violência previstas na legislação. A violência patrimonial, que envolve controle de recursos, riceos ou acesso ao dinheiro, foi a mais subestimada pelos entrevistados.
Trajetórias violentas
Na etapa qualitativa com homens condenados, as trajetórias apontam para ambientes familiares violentos, punições físicas, autoridade masculina rígida e visões tradicionais de gênero. Muitos associam masculinidade à obrigação de prover, e veem ciúmes e controle como sinais de afeto.
As entrevistas indicam que episódios de violência costumam ocorrer de forma gradual, com conflitos ligados a honra, problemas financeiros, familiares e uso de álcool ou drogas. Os pesquisadores destacam que entender essas motivações é essencial para políticas de proteção e prevenção.
Para o IPEDF, compreender esses fatores contribui para orientar ações governamentais que reduzam a violência contra a mulher e previnam episódios futuros de agressão.
Entre na conversa da comunidade