- A PGR adota cautela em relação à proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro e ainda não sinalizou uma decisão definitiva.
- A análise ocorre sobre anexos apresentados pela defesa e envolve a possibilidade de seguir o mesmo caminho da Polícia Federal (PF).
- A PF já rejeitou a proposta duas vezes; agora cabe à PGR decidir se aceita ou não o acordo.
- A defesa aponta que, até o momento, Vorcaro não assumiu responsabilidades nem apontou crimes de terceiros; a PF e a PGR mantêm resistência ao acordo.
- O prejuízo estimado aos cofres públicos varia entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões; a homologação depende de três critérios: novos elementos, corroboração de provas e capacidade de restituição.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém cautela nas tratativas de delação premiada propostas pela defesa de Daniel Vorcaro. A análise ocorre sobre anexos apresentados pelo advogado do ex-banqueiro, e a PGR ainda não sinalizou uma decisão definitiva.
A delação de Vorcaro envolve duas frentes: uma junto à Polícia Federal (PF) e outra na própria PGR. Com a rejeição inicial da PF, a palavra final caberá à PGR para decidir se aprova ou não o acordo em análise.
A primeira versão foi apresentada no início de maio. Vinte dias depois, a PF rejeitou o acordo, alegando falta de elementos suficientes e que Vorcaro não apontou crimes cometidos por ele ou por terceiros.
A PGR manteve as tratativas e a PF retornou às negociações, sem sucesso. A última comunicação de negativa foi repassada à defesa na quarta-feira, e o STF foi informado na quinta-feira, segundo apuração.
Tanto PF quanto PGR resistem, segundo analista da CNN, à proposta pelos mesmos motivos: Vorcaro não reconheceu responsabilidades e não indicou claramente quem teria cometido crimes. A leitura é de blindagem de envolvidos na avaliação dos investigadores.
Caso a PGR conclua pela homologação, o texto deverá seguir para André Mendonça, que decidirá pela validação ou não da delação, conforme o processo evoluir. A decisão depende de avaliação adicional pela PGR.
Provas e critérios para homologação
A PF tem oito celulares apreendidos e um conjunto de mensagens e documentos obtidos em oito operações desde novembro. Três critérios são apontados para homologação: novos elementos, corroboração de provas existentes e capacidade de restituição de recursos aos cofres públicos.
Estimativas apontam que o prejuízo pode oscilar entre 40 bilhões e 60 bilhões de reais, valor que ainda não tem consenso sobre a viabilidade de devolução pelo colaborador. A avaliação sobre esse ponto permanece em aberto.
A PGR não trabalha com prazos e afirmou que decidirá quando considerar o momento adequado. A atuação tem sido mais discreta em comparação à PF, que manteve postura mais firme acerca da proposta.
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