- Estudo liderado por Christian Gläßel e Adam Scharpf sugere que ditaduras dependem de pessoas com baixo desempenho para ascender, usando a polícia secreta como caminho para provar lealdade e ganhar espaço na carreira.
- O caso de Klingelhöfer, major da SS condenado na forca em Nurembergue, é usado para ilustrar como indivíduos de funções diversas passaram a atuar em execuções massivas durante o regime nazista.
- Pesquisadores analisaram dados de oficiais argentinos desde 1870 e mostraram que, sob pressão, quem tem baixo desempenho tende a ser excluído ou a ingressar na polícia secreta para salvaguardar a carreira.
- A conclusão é que meritocracia pode favorecer a ascensão de novatos a serviço de regimes autoritários, ao transformar falhas em oportunidades para provar valor, mesmo em Democracias.
- Exemplos contemporâneos citados no estudo incluem casos de nomeações políticas em governos recentes, usados para destacar como “novatos” podem servir a projetos de destruição sem depender exclusivamente de ideologia.
Uma foto do julgamento de membros das Einsatzgruppen, unidades móveis de extermínio nazistas, mostra o major da SS Klingelhöfer olhando para a câmera. A imagem foi registrada entre 1947 e 1948, pouco antes de sua condenação à morte por crimes contra a humanidade no processo de Nurembergue.
Klingelhöfer era cantor de ópera antes de ingressar no SD, serviço de inteligência nazista. Em 1935, deixou Kassel para trabalhar na estrutura cultural do órgão, ligado a Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler, apontados como arquitetos do Holocausto. Sua função incluía analisar propaganda do regime.
Em 1941, ele passou ao Einsatzgruppe B como tradutor e foi promovido a líder de unidade de assalto no Vorkommando Moscow. Nesse posto, ordenou e participou de execuções de civis. A trajetória dele é usada para discutir motivações por trás de decisões cruéis.
Pesquisadores questionam se desempenho ruim pode explicar adesão a crimes de autocratas. Christian Gläßel, da Hertie School, e Adam Scharpf apontam evidências de padrões que ligam baixo desempenho à busca por ascensão profissional, mesmo em regimes autoritários.
O estudo analisa oficiais do Exército argentino desde 1870 e identifica que maus desempenhos elevam o risco de exclusão e conduzem à entrada na polícia secreta durante ditaduras. O mecanismo é apresentado como forma de demonstrar lealdade e progredir na carreira.
Segundo os autores, a meritocracia funciona como fator de risco: quem fica para trás tende a recorrer a medidas extremas para avançar. O argumento sustenta que sistemas meritocráticos podem favorecer crimes quando expõem vencedores a recompensas contínuas.
A pesquisa também traz casos da Alemanha nazista, da Gâmbia e da União Soviética. Entre os exemplos, perfis com pouca experiência policial e desejo de provar valor aparecem como características comuns, exploradas por líderes para consolidar controle.
Embora a ideologia não seja ignorada, a configuração institucional também é destacada. Heydrich e Himmler teriam promovido competição interna para manter altos padrões de desempenho entre as unidades letais do regime.
Klingelhöfer, cuja atuação já havia sido vinculada ao antissemitismo prévio, é citado como exemplo de figura que ascendeu por meio de mecanismos de avaliação de desempenho, mesmo em condições extremas. A história dele foi concluída com a pena de morte comutada e, posteriormente, liberdade condicional.
As conclusões dos pesquisadores sinalizam que democracias podem abrigar dinâmicas de meritocracia que empurram indivíduos a extremos para manter espaço no sistema. O estudo sugere cautela na avaliação de estruturas de carreira sob pressão.
Entre os casos contemporâneos citados, mencionam-se episódios de nomeações controversas em órgãos públicos, usados para ilustrar como a pressa por ocupar posições pode influenciar decisões institucionais. A referência serve apenas como ilustração de padrões discutidos.
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